dou gritando e gemendo de tanta dor.
Conseguiram apagar o fogo enrolando-a
no mesmo cobertor que Ernesto usou.
Marta usava um vestido azul de tactel,
que grudou no corpo todo machucado.
O cenário misturava dor, arrepios e
desespero. Diva achou que se passasse
óleo de cozinha no corpo da fi lha iria
melhorar, mas foi totalmente o con-
trário. Os ferimentos pioraram. Em um
fusca, debaixo daquela forte tempestade,
seguiram para o hospital São Marcos,
único que atendia queimados na época
em Maringá. Fora o barulho da chuva, os
gritos de Marta tomavam conta de todo
ambiente. Era uma corrida contra o tem-
po para salvar a vida da menina. A mãe
se desesperava por não ter socorrido a
fi lha rapidamente e junto aos gritos de
Marta, as lágrimas de Diva a acompan-
haram até chegar ao leito do hospital.
Foram 16 dias de internação. Marta sof-
reu queimaduras de terceiro grau da
cintura para cima. Ficou enfaixada dos
pés à cabeça, mumifi cada por gaze, es-
paradrapos e muito anestésico. Foram os
piores e mais sofridos dias da vida dela.
Passou por quatro cirurgias plásticas
nesse curto período e quando a dor vol-
tava, era encaminhada para a retirada da
p