Ao olhar para as
cicatrizes elas,
lembra-se de que apesar
de pequena,
foi mais forte do que muita
gente grande
A pele começara a voltar. Logo, Marta
pode se olhar no espelho e perceber que
estava fi nalmente se recuperando. Quan-
do melhorou a ponto de voltar para casa, o
que mais se via em seu corpo eram as cica-
trizes. As condições fi nanceiras da família
já não permitiam mais uma cirurgia.
Marta teve de levar essas marcas com ela.
Quando voltou para casa, teve que redo-
brar os cuidados e tomar ainda muitos
remédios. Durante um ano não saiu à luz
do Sol, usava roupas bem largas para não
irritar os ferimentos que ainda estavam
se fechando. A sorte dela eram os irmãos,
que a ocupavam com diversas brinca-
deiras para não dar espaço à tristeza.
Em 2011, já com 40 anos de idade,
25 de casamento e uma fi lha de 14
anos, ela fez a primeira cirurgia plásti-
ca para retirar uma cicatriz do rosto.
Em 2015 realizou outra cirurgia, uma
abdominoplastia, que ajudou muito
na retirada de pele morta da barriga.
Quando Marta olha para trás e se lem-
bra desse episódio, nota-se tristeza ao
retratar o acidente. Ela diz que é um
milagre vivo, porque se a queimadu-
ra tivesse atingido a região do umbi-
go, segundo os médicos, ela morreria.
Até hoje não entende por que isso
aconteceu com ela. Uma criança
pequena, inocente, sentindo dores
tão
terríveis,
intensas,
sofridas.
Marta continua tomando vários cuidados no fogão .
(Foto: Amanda Zerede)
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