Eu Tenho Histórias Edição Única | Page 225

Ao olhar para as cicatrizes elas, lembra-se de que apesar de pequena, foi mais forte do que muita gente grande A pele começara a voltar. Logo, Marta pode se olhar no espelho e perceber que estava fi nalmente se recuperando. Quan- do melhorou a ponto de voltar para casa, o que mais se via em seu corpo eram as cica- trizes. As condições fi nanceiras da família já não permitiam mais uma cirurgia. Marta teve de levar essas marcas com ela. Quando voltou para casa, teve que redo- brar os cuidados e tomar ainda muitos remédios. Durante um ano não saiu à luz do Sol, usava roupas bem largas para não irritar os ferimentos que ainda estavam se fechando. A sorte dela eram os irmãos, que a ocupavam com diversas brinca- deiras para não dar espaço à tristeza. Em 2011, já com 40 anos de idade, 25 de casamento e uma fi lha de 14 anos, ela fez a primeira cirurgia plásti- ca para retirar uma cicatriz do rosto. Em 2015 realizou outra cirurgia, uma abdominoplastia, que ajudou muito na retirada de pele morta da barriga. Quando Marta olha para trás e se lem- bra desse episódio, nota-se tristeza ao retratar o acidente. Ela diz que é um milagre vivo, porque se a queimadu- ra tivesse atingido a região do umbi- go, segundo os médicos, ela morreria. Até hoje não entende por que isso aconteceu com ela. Uma criança pequena, inocente, sentindo dores tão terríveis, intensas, sofridas. Marta continua tomando vários cuidados no fogão . (Foto: Amanda Zerede) Eu tenho: Histórias 225