As pessoas me procuravam questionando
como é que eu, uma menina de 12 anos,
conseguia falar de um tema tão polêmico e
tão atrativo ao mesmo tempo. E eu respon-
dia que era um dom de Deus
raguá em uma chácara na região, o lugar
era bem afastado da cidade. Ela dava au-
las de matemática para meninas. Nessa
escola foram assassinadas duas professo-
ras e ninguém queria dar aulas ali, mas
como o trabalho não era um opção para
Darcelinda , resolveu topar o desafi o.
A época era difícil, e assim como hoje,
professores não tínha mordomias. o
caminho para chegar a escola era com-
plicado. Era preciso passar por dentro
de um cafezal enorme e amedontrador.
Darcelinda enfrentou tudo isso pela von-
tade de ensinar.
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Boa em matemática, dizia-se uma expert
no assunto, bem ao contrário de hoje, que
se considera uma analfabeta em contas.
Ela chegou a lecionar para 55 alunos. A
sala fi cava pequena quando ela chegava
para dar aulas. Desde os 10 anos de idade
Darcelinda ja tinha muitas responsabili-
dades, cuidava da casa e trabalhava, sen-
tia-se como se tivesse 40 anos, por que
pegava no batente cedo e só parava anoi-
te. Além de dar aulas, cuidava da casa, la-
vava, passava e ainda carpinava o quintal
quando necessario.
Mas foi aos 12 anos que viveu a sua maior
proeza. Redigiu um livro intitulado Feli-
cidade Conjugal, em que dava conselhos
amorosos ás pessoas. Naquela época sua
irmã mais velha, Izolinda, estava passan-