Eu Tenho Histórias Edição Única | Page 182

As pessoas me procuravam questionando como é que eu, uma menina de 12 anos, conseguia falar de um tema tão polêmico e tão atrativo ao mesmo tempo. E eu respon- dia que era um dom de Deus raguá em uma chácara na região, o lugar era bem afastado da cidade. Ela dava au- las de matemática para meninas. Nessa escola foram assassinadas duas professo- ras e ninguém queria dar aulas ali, mas como o trabalho não era um opção para Darcelinda , resolveu topar o desafi o. A época era difícil, e assim como hoje, professores não tínha mordomias. o caminho para chegar a escola era com- plicado. Era preciso passar por dentro de um cafezal enorme e amedontrador. Darcelinda enfrentou tudo isso pela von- tade de ensinar. 182 Boa em matemática, dizia-se uma expert no assunto, bem ao contrário de hoje, que se considera uma analfabeta em contas. Ela chegou a lecionar para 55 alunos. A sala fi cava pequena quando ela chegava para dar aulas. Desde os 10 anos de idade Darcelinda ja tinha muitas responsabili- dades, cuidava da casa e trabalhava, sen- tia-se como se tivesse 40 anos, por que pegava no batente cedo e só parava anoi- te. Além de dar aulas, cuidava da casa, la- vava, passava e ainda carpinava o quintal quando necessario. Mas foi aos 12 anos que viveu a sua maior proeza. Redigiu um livro intitulado Feli- cidade Conjugal, em que dava conselhos amorosos ás pessoas. Naquela época sua irmã mais velha, Izolinda, estava passan-