olhos vermelhos, novamente lagrimas.
Um certo dia, brincava em casa e de re-
pente, avistou uma garrafa de guaraná na
área da frente. Como era muito pequena,
e muito serelepe não pensou duas vez-
es.Tomou todo o líquido que estava na
garrafa. A mãe, repleta de serviços, pois
fazia bico de costureira,demorou a dar
falta da filha. Quando notou que ela não
estava mais correndo pela casa e foi ver
o que acontecia, a viu caida e desmaia-
da. Da boca de Darcelinda exalava um
forte cheiro de querosene, o líquido que
estava na garrafa de guaraná. O produ-
to tinha sido deixado lá pelo irmão, para
limpar as peças de uma bicicleta. A mãe
de Darcelinda não pensou duas vezes:
saiu correndo e levou a menina a um
certo doutor Kurtz.Mas ele estava reali-
zando um parto e não poderia atendê-la.
Então, correu deseperadamente com a
filha nos braços até a farmacia da cidade.
O farmacêutico, cujo nome era Valdecir
Gomes, enfiou o dedo goela abaixo da
menina. Foi o que a salvou.
Gomes foi atencioso com Darcelinda e
sua mãe. Ela conta que se não fosse o far-
macêutico não estaria aqui para contar a
historia.
WMas como toda arte tem um preço,
Darcelinda sente até hoje as consequên-
cias do ocorrido. Ela tem parte do fígado
e rins comprometidos por conta do que-
rosene, sofre de cólicas de fígado e muita
dor de cabeça.
Desde pequena, teve que trabalhar para
ajudar no sustento da família. Aos 12
anos de idade cursando o segundo ano de
ginásio, lecionava em escolas da região.
Dava aulas no Mobrau, programa de al-
fabetização do governo para adolecentes
de 13 e 14 anos de idade. Tirava dali o
sustento para ajudar em casa. Aos 13 anos
foi convidada para dar aulas na escola Ja-
Darcelinda recordando fotos de sua infância. Foto: Rodrigo Lucas
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