Eu Tenho Histórias Edição Única | Page 181

olhos vermelhos, novamente lagrimas. Um certo dia, brincava em casa e de re- pente, avistou uma garrafa de guaraná na área da frente. Como era muito pequena, e muito serelepe não pensou duas vez- es.Tomou todo o líquido que estava na garrafa. A mãe, repleta de serviços, pois fazia bico de costureira,demorou a dar falta da filha. Quando notou que ela não estava mais correndo pela casa e foi ver o que acontecia, a viu caida e desmaia- da. Da boca de Darcelinda exalava um forte cheiro de querosene, o líquido que estava na garrafa de guaraná. O produ- to tinha sido deixado lá pelo irmão, para limpar as peças de uma bicicleta. A mãe de Darcelinda não pensou duas vezes: saiu correndo e levou a menina a um certo doutor Kurtz.Mas ele estava reali- zando um parto e não poderia atendê-la. Então, correu deseperadamente com a filha nos braços até a farmacia da cidade. O farmacêutico, cujo nome era Valdecir Gomes, enfiou o dedo goela abaixo da menina. Foi o que a salvou. Gomes foi atencioso com Darcelinda e sua mãe. Ela conta que se não fosse o far- macêutico não estaria aqui para contar a historia. WMas como toda arte tem um preço, Darcelinda sente até hoje as consequên- cias do ocorrido. Ela tem parte do fígado e rins comprometidos por conta do que- rosene, sofre de cólicas de fígado e muita dor de cabeça. Desde pequena, teve que trabalhar para ajudar no sustento da família. Aos 12 anos de idade cursando o segundo ano de ginásio, lecionava em escolas da região. Dava aulas no Mobrau, programa de al- fabetização do governo para adolecentes de 13 e 14 anos de idade. Tirava dali o sustento para ajudar em casa. Aos 13 anos foi convidada para dar aulas na escola Ja- Darcelinda recordando fotos de sua infância. Foto: Rodrigo Lucas Eu tenho: Histórias 181