Eu Tenho Histórias Edição Única | Page 180

A vida nunca foi boa para mim. Sempre sofri e desde pequena tive vários empencílios para viver. Reportagem Rodrigo Lucas D arcelinda Pereira de Carvalho, 60, aconchega-se em uma cozinha, com ol- har desconfi ado, meio triste. Não quer sentar-se, pois veio de carro e está com as costas doendo, com um a’ndar um tanto quanto diferente, meio desorienta- do. Assim um pouco torta, ela caminha em direção à porta de entrada. O sol brilhava como nunca lá fora, calor ardente de 34 graus, mas a sensação era de 40. Dentro da casa, dona Darcelinda aparenta nervosisvo, pois não sabe como começar a contar a história de sua vida. As mãos calejadas, unhas feitas, esmalta- das e cutícula bem tiradas suam frio. É convidada a sentar, mas se recusa: “ Ain- da sou jovem, posso fi car de pé, não me subestime.” Em 21 de julho de 1956, às 15h15, época de Lua cheia, com 5 quilos e 300 gramas, muito pequenina, nascia na cidade de São João do Caiuá, interior do Paraná, em casa, esta “lindeza”, assim como ela se defi niu. A rapa da panela. O pai, de tanta alegria, sabendo da notícia do na- scimento da terceira fi lha, bebeu uns gorós e chegou meio atordoado em casa. Sabe aquela história de que bêbado briga até com a sua sombra? Pois bem, o pai de Darcelinda levou à risca esse ditado 180 popular. Ao chegar em casa olhou-se no espelho e achou que ali havia outro homem. Sem pensar, começou a brigar como espelho e foi pedaço de vidro para todos os lados. A mãe, vendo aquela cena, pegou os ca- cos, colocou em um copo com agua e bebeu. Lembrar dessa passagem,contata a ela mais tarde pela própria mãe, provo- ca lagrimas em Darce