A vida nunca foi boa para mim.
Sempre sofri e desde pequena
tive vários empencílios para
viver.
Reportagem
Rodrigo Lucas
D
arcelinda Pereira de Carvalho, 60,
aconchega-se em uma cozinha, com ol-
har desconfi ado, meio triste. Não quer
sentar-se, pois veio de carro e está com
as costas doendo, com um a’ndar um
tanto quanto diferente, meio desorienta-
do. Assim um pouco torta, ela caminha
em direção à porta de entrada.
O sol brilhava como nunca lá fora, calor
ardente de 34 graus, mas a sensação era
de 40. Dentro da casa, dona Darcelinda
aparenta nervosisvo, pois não sabe como
começar a contar a história de sua vida.
As mãos calejadas, unhas feitas, esmalta-
das e cutícula bem tiradas suam frio. É
convidada a sentar, mas se recusa: “ Ain-
da sou jovem, posso fi car de pé, não me
subestime.”
Em 21 de julho de 1956, às 15h15, época
de Lua cheia, com 5 quilos e 300 gramas,
muito pequenina, nascia na cidade de
São João do Caiuá, interior do Paraná,
em casa, esta “lindeza”, assim como ela
se defi niu. A rapa da panela. O pai, de
tanta alegria, sabendo da notícia do na-
scimento da terceira fi lha, bebeu uns
gorós e chegou meio atordoado em casa.
Sabe aquela história de que bêbado briga
até com a sua sombra? Pois bem, o pai
de Darcelinda levou à risca esse ditado
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popular. Ao chegar em casa olhou-se
no espelho e achou que ali havia outro
homem. Sem pensar, começou a brigar
como espelho e foi pedaço de vidro para
todos os lados.
A mãe, vendo aquela cena, pegou os ca-
cos, colocou em um copo com agua e
bebeu. Lembrar dessa passagem,contata
a ela mais tarde pela própria mãe, provo-
ca lagrimas em Darce