Eu Tenho Histórias Edição Única | Página 157

Luna estava sozinha naquele pequeno cômodo abafado que dividia uma sala (que também servia de cozinha) e um quarto. Antes, morava somente com a mãe. Contou, com certo desinteresse, que não vê o pai desde que tinha 8 anos – e que nem gostaria de saber onde ele estava. À época, morava em Goioerê, São Paulo. Os pais se separaram quando ela tinha 5. Com mais seriedade, Luna disse que ela e a mãe discutiam muito, principalmente por assuntos mundanos. Quando pedi para ela me falar um pouco mais sobre o momento que a levou a ser expulsa, disse que foi como as outras discussões, mas com um diferencial. Desta vez, envolvia diretamente sua liberdade, sua identidade de gênero; envolvia quem realmente era Luna Mina. Com ironia, afirmou que a mãe a chamava pelo nome biológico: Denner. No conflito, a mãe disse que não tinha como aceitar a situação de Luna. Com isso, procurou lugares para ficar. O trajeto passou por seis amigos e um abrigo. Ela ficou de uma a duas semanas em cada local, com ênfase no último. Não queria atrapalhar ninguém, e por isso evitou ficar mais de duas semanas no mesmo lugar. Foto: Lucas Martinez O local que mais a marcou foi o abrigo LGBT de Maringá. Ironicamente, ela Eu tenho: Histórias 157