Luna estava sozinha naquele pequeno
cômodo abafado que dividia uma sala
(que também servia de cozinha) e um
quarto. Antes, morava somente com a
mãe. Contou, com certo desinteresse,
que não vê o pai desde que tinha 8 anos
– e que nem gostaria de saber onde ele
estava. À época, morava em Goioerê,
São Paulo. Os pais se separaram quando
ela tinha 5. Com mais seriedade, Luna
disse que ela e a mãe discutiam muito,
principalmente por assuntos mundanos.
Quando pedi para ela me falar um pouco
mais sobre o momento que a levou a ser
expulsa, disse que foi como as outras
discussões, mas com um diferencial.
Desta vez, envolvia diretamente sua
liberdade, sua identidade de gênero;
envolvia quem realmente era Luna
Mina. Com ironia, afirmou que a mãe a
chamava pelo nome biológico: Denner.
No conflito, a mãe disse que não tinha
como aceitar a situação de Luna.
Com isso, procurou lugares para ficar.
O trajeto passou por seis amigos e um
abrigo. Ela ficou de uma a duas semanas
em cada local, com ênfase no último.
Não queria atrapalhar ninguém, e por
isso evitou ficar mais de duas semanas no
mesmo lugar.
Foto: Lucas Martinez
O local que mais a marcou foi o abrigo
LGBT de Maringá. Ironicamente, ela
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