Edição 559 Março/Abril OE-559_WEB | Page 33

D e s e n v o l v i m e n t o U r b a n o Complexo multiuso integra prédios tombados e novas edificações O empreendimento na região da Avenida Paulista, em São Paulo (SP), exige extensas escavações e contenções, além da construção de uma torre e a restauração ampla de antigas estruturas Augusto Diniz Em um terreno de 30 mil m², numa região altamente adensada a duas quadras da Avenida Paulista, realiza-se hoje uma das mais importantes obras na capital paulista. Trata-se da construção da Cidade Matarazzo. No local funcionou por quase 90 anos um hospital e uma maternidade. Inaugurado em 1904, o complexo hospitalar foi mais um entre os vários projetos desenvolvidos na ca- pital paulista pelo Conde Francisco Matarazzo e expressa a arquitetura italiana estabelecida naquela época no Brasil. Integrado ao espaço, funcionava uma capela. Em 1986, an- tes de seu fechamento em 1993, boa parte do conjunto foi tombada pelo patrimônio histórico. Agora, o Boulevard Matarazzo, que adquiriu a área em 2008, investe para recriar o espaço com um hotel (a ser ope- rado pela rede Rosewood), uma torre e um prédio comercial, além de um centro de compras. O projeto é do premiado arquiteto francês Jean Nouvel. Porém, para fazer tudo isso, uma extensiva operação de escavações e contenções está em andamento. Além disso, será preciso ainda fazer um minucioso trabalho de restaura- ção das edificações tombadas. Todo o complexo terá aproximadamente 140 mil m² de área construída. - desde o ano passado, a entrega do em- preendimento está prevista para 2019. FRENTES DE TRABALHO As execuções na Cidade Matarazzo estão divididas em Perspectiva da torre onde nas fachadas brotam uma “floresta vertical” Prédios tombados serão reformados e duas novas edificações surgirão no terreno várias frentes de trabalho, de acordo com a Tessler Engenha- ria, gerenciadora da obra. A primeira delas contemplou a demolição controlada de construções existentes (inclusive uma edificação de oito an- dares) não tombadas no grande terreno do complexo – ape- nas uma edificação não tombada, anexa ao antigo hospital, ficou de pé e aguarda definição do destino. Ainda nesta frente estão incluídos os trabalhos de ter- raplenagem, além da aplicação do Termo de Compromisso Ambiental (TCA) acordado com os órgãos responsáveis. Na segunda frente, ocorrem os serviços de escavação e contenção da área da torre de 25 andares que será erguida. As contenções vão a 30 m de profundidade. O motivo disso está relacionado à construção no subsolo de estacionamento que terá de 5 a 8 andares, dependendo do trecho. O estacionamento não se restringe a área da torre a ser construída e parte dele avança no subsolo do terreno, por debaixo das construções já existentes no local – o que exige novas contenções, além de reforços estruturais nas edifica- ções existentes. Estacões e tubulões foram posicionados para as con- tenções onde se construirá a torre e o estacionamento. As fundações desse novo prédio estão sendo executadas com estacas escavadas retangulares (barrete).  A torre a ser erguida terá 22 andares construídos em concreto e três em estrutura metálica. Ela possui um forma- to bastante peculiar. A estrutura em concreto será moldada in loco com concreto auto adensável. A partir do 22º andar, será construída uma penthouse www.revistaoempreiteiro.com.br | 33