E-Vista Ed. 01/Ano 01 | Page 34

ENTREVISTA com H

EVa: Você participa ou já participou de algum projeto? Coletânea ou Antologia, o que foi importante para você? Se não participou, no que acha que isso lhe ajudaria?
H. S.: Eu fundei uma academia de letras na escola em que trabalho onde diversos alunos encontram suporte e apoio para escrever e publicar suas obras literárias. Além disso, participei da antologia A Arte do Terror Vol. 4 e agora, do vol 5. Tais experiências são de grande valia na medida em que contribuem para o amadurecimento do escritor.
EVa: Já realizou alguma publicação( que não fosse antologias) da qual teve que pagar por ela? Se sim, o que lhe motivou a fazer isso? H. S.: Não. EVa: Na sua opinião, porque as editoras ficaram menos acessíveis e porque tantas outras surgiram com a opção de publicar novos autores onde o mesmo pague pela tiragem?
H. S.: Não tenho muita intimidade com o mercado editorial, entretanto, como escritor eu entendo os desejos e sonhos de outros escritores em ter seus textos publicados por uma grande editora com a qual faria um lucrativo contrato. Por outro lado, as editoras se tornaram menos acessíveis devido à grande quantidade de literatura de massa, geralmente criada e divulgada pela internet, locadoras virtuais ou TV( por assinatura). Você pode ser um jovem grande escritor, com uma obra fantástica e inovadora, mesmo assim, você terá menos chances de lançar seu livro do que um jovem youtuber com algumas centenas de milhares de seguidores. Se o objetivo das editoras fosse lançar obras de qualidade, a realidade seria outra. Sabemos que os interesses do mercado são financeiros( aqui falo sem entrar com uma retórica marxista ou mesmo de esquerda), isso é fato.
EVa: Você acha válido pagar para ter seu livro publicado? Mesmo que para muitos isso não seja uma publicação oficial? Você acha que esta forma de publicação se iguala a qualquer outra? Afinal, o que seria uma publicação para você?
H. S.: Pagar pela publicação do próprio livro é um meio encontrado por quem não passou pelas peneiras editoriais ou mesmo que não quis se submeter a elas. É viável e interessante para quem pode pagar, mas é óbvio afirmar que não se iguala, no tocante à divulgação, a uma publicação tradicional. Diante das possibilidades que temos hoje, dependendo do gênero que você produz, há diversas formas de publicar seu texto de forma gratuita ou mesmo a baixo custo. Publicação é publicação: seja oficial ou não, seja publicação virtual ou material, seja em grande escala ou em pequenas tiragens. Creio que o importante é a divulgação da obra, claro que sem desmerecê-la, pois falo de divulgação séria, independente dos

E-Vista meios escolhidos pelo autor, pois estamos falando de uma produção artística, o resultado de um trabalho de espírito.

EVa: Você usa programas voltados para editoração? Se sim, pode divulgar?
H. S.: Sou quase um“ analfabyte”. Para escrever uso o Word e quando me aventuro a fazer minhas próprias capas, uso o Phixr.
EVa: Na era digital, você deixou de lado à publicação tradicional? Ainda utiliza dela ou ambas são válidas para o seu dia-a-dia?
H. S.: Meu primeiro livro foi publicado por meio de um concurso literário realizado pela Secretaria de Educação do Estado do Ceará. Tive meu livro impresso publicado pela editora da Universidade Federal do Ceará. Meu primeiro conto foi publicado em forma digital. Creio que ambas as formas podem e devem ser exploradas, pois são experiências diferentes, válidas e que contribuem para o amadurecimento do autor.
EVa: Fazer promoções no meio editorial é algo que ainda vale à pena ou isso gera mais custos do que marketing?
H. S.: Quanto a isso, sou bem pragmático: não participo, pois não convém gastar tempo e dinheiro com algo que parece uma estratégias para captar desesperados.
EVa: Qual o verdadeiro motivo ou incentivo para realizar suas atividades?
H. S.: Assim como eu não conseguiria viver sem música, eu não conseguiria viver sem ler e escrever literatura. É uma demanda de meu espírito. O que me incentiva a escrever é o sentimento de ter criado algo que me orgulho, algo que outros possam gostar. Não é a pretensão de ficar

34