Dragões #408 Nov 2020 | Page 15

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Chegou a Bruxelas com 16 anos e nem sequer falava francês . O que foi necessário para que se adaptasse à nova vida ? Não foi fácil essa nova vida , mas aos poucos fui falando com as pessoas e habituei-me ao ambiente . O francês não é a minha língua materna e eu não dominava o idioma , mas lá deram-me todas as condições para o aprender . Aliás , hoje continuo a aprender a falar francês .
Jogou pelos Sub-19 nas duas primeiras temporadas , mas rapidamente agarrou a oportunidade no clube . Nos anos que se seguiram , impôs-se como um elemento indispensável

“ Em certos dias , tomava o pequeno- -almoço de manhã e depois , à noite , se não houvesse nada , não havia , não jantávamos .”

na equipa principal . Crê que deu um salto qualitativo importante nesta fase ? Ainda em África comecei a trabalhar forte e a preparar-me para altos voos com treinos individuais . Disse a mim próprio que iria para a Europa . Chegado à Bélgica , claro que as coisas não foram fáceis . Inicialmente , fomos a alguns torneios internacionais e até conquistámos um título . Quando estava nas reservas , o treinador deu-me uma oportunidade e chamou-me à equipa principal para substituir o defesa-central titular , o Kouyaté , que estava castigado por ter sido expulso num jogo . Joguei contra o Lokeren e perdemos . Na jornada
seguinte já não joguei , mas a partir do terceiro jogo agarrei a oportunidade e encarreirei .
No Anderlecht conquistou um campeonato e uma Supertaça da Bélgica , o que despertou a atenção dos dirigentes do Newcastle . Na primeira época em Inglaterra , jogou regularmente naquele que é considerado o melhor campeonato do mundo . Que vantagens é que esta experiência lhe trouxe ? Quando estava em África , disse para mim próprio que tinha de jogar na Premier League . Era um sonho meu . E assim que a oportunidade surgiu , tinha a noção de que não a poderia deixar
REVISTA DRAGÕES NOVEMBRO 2020