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toda a minha família , que me motiva a 100 % nos momentos de glória e de dificuldade .
A capacidade para o desporto de alto rendimento está ligada aos genes da sua mãe ? Eu diria que está ligada aos genes da mãe e do pai [ risos ].
Em 2006 , aos 12 anos , ingressou no primeiro clube pelo qual jogou , o ES La Grace . Como é que isso se deu ? Como disse , eu só jogava na rua e um dia um amigo meu , que jogava no ES La Grace , disse-me para eu ir treinar ao clube , porque considerava que eu tinha muita qualidade . Ao início , fiquei um pouco relutante , mas depois , quando fui lá , percebi que aquela era a minha chance de começar a jogar futebol a sério . Quando passei a fazer parte do ES La Grace nunca mais deixei o futebol e a evolução foi sempre ascendente .
Na época seguinte jogou no Mputu e entre 2008 e 2011 representou o MK Étenchéité . Que balanço faz destes anos de formação ? Quais são as principais lições que aprendeu ? Antes de mais , quando jogava na rua não usava chuteiras e quando ingressei nestes clubes usava-as sempre e essa é uma diferença importante . No Mputu , comecei a sentir que tinha mesmo de agarrar aquela oportunidade que me tinha sido dada pelo presidente do clube . Consegui jogar regularmente logo na época de estreia e depois fui para o MK Étenchéité . Aí pude participar no equivalente à primeira liga portuguesa e percebi que não podia mesmo facilitar , as portas da minha carreira profissional estavam a abrir-se e abordei o desafio com empenho máximo . Joguei contra os melhores clubes africanos , o que me deu bastante tarimba .
Nos primeiros tempos jogava em diferentes posições no campo … É verdade , joguei , por exemplo , a lateral-esquerdo e a médiodefensivo , mas a minha posição preferida é defesacentral . Um treinador meu , na fase inicial da minha carreira , colocou-me nesse lugar num jogo , para conquistarmos a vitória , pois considerava que nessas funções eu era capaz de apoiar a equipa e de a guiar ao sucesso . A minha vocação é para jogar a defesa-central .
A transferência para o Anderlecht em 2011 foi um ponto de viragem na sua carreira . Como abordou o novo desafio naquela época ? De facto , estar em África é muito diferente de estar aqui , na Europa .
Quando cheguei a Bruxelas pela primeira vez e olhei à minha volta disse para comigo : ‘ Que mundo !’. Não foi tão fácil para mim como foi para os outros . Fiz os meus testes em Bruxelas e depois até tive de regressar a África , onde as pessoas me perguntaram se na Bélgica iam mesmo ficar comigo . Nem sabia bem o que me ia acontecer , só respondia que estava à espera de uma indicação . Esperei para ver como a situação evoluía e disseram-me para voltar a Bruxelas . Entretanto , falei ao telefone com o meu agente , o Fábio , disse-lhe que estava de volta e ele encaminhou o processo para eu assinar o contrato . Ficou tudo resolvido .
REVISTA DRAGÕES NOVEMBRO 2020