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A ARTE DE ESTAR SEMPRE À FRENTE
Se incluirmos nas contas os
anos em que foi diretor do
departamento de futebol,
verifica-se que Jorge Nuno Pinto
da Costa já ajudou o FC Porto a
ser campeão nacional em cinco
décadas distintas e a vencer
troféus internacionais em três. E
constata-se que esses sucessos
aconteceram em contextos
bastantes distintos: num tempo
em que os plantéis eram quase
exclusivamente constituídos
por jogadores portugueses e
noutro em que o mercado é
muito mais aberto e globalizado;
numa altura em que a gestão dos
clubes assentava em estruturas
largamente amadoras e noutra
em que o profissionalismo
é transversal a todos os
departamentos; numa época em
que ainda se jogava em campos
pelados e noutra em que todos os
terrenos são relvados e em que
os estádios são cada vez mais
confortáveis; numa era em que
os jogos de futebol quase não
eram transmitidos na televisão
e noutra em que os clubes já
têm os seus próprios canais.
Concretizar a vitória no
campeonato de 2017/18 foi
muito diferente de preparar
as conquistas dos de 1977/78,
1987/88, 1997/98 e 2007/08. Em
abstrato, não foi melhor nem
pior, mais fácil ou mais difícil,
mais importante ou menos
importante. Foi diferente,
porque as condições em que
cada um destes sucessos foram
alcançados evoluíram e foram
substancialmente distintas. E se o
FC Porto conseguiu vencer estes
cinco campeonatos – além de
tudo o resto que ganhou – com o
mesmo homem como principal
responsável pelo futebol, isso
significa que existiu uma notável
capacidade de adaptação a cada
um dos novos desafios, como se
fosse possível, a cada momento,
estar à frente do próprio tempo.
Esta evolução não aconteceu
exclusivamente no futebol. A
revisitação dos compromissos
eleitorais de Jorge Nuno Pinto
da Costa em 1982 e o elenco
das concretizações que se
pode associar a cada um deles
espelham bem como o FC Porto
tem conseguido integrar a
vanguarda das instituições
desportivas mundiais:
1. Uma das promessas era o
rebaixamento do Estádio das
Antas. Essa obra, cuja viabilidade
muitos colocaram em causa,
concretizou-se. Mais tarde, o
recinto foi modernizado com a
instalação de cadeiras para todos
os adeptos. Depois, foi construído
o Estádio do Dragão. E a Dragão
Arena. E o novo parque da
Constituição. E o Museu FC Porto.
2. Pinto da Costa prometia inovar
ao nível da comunicação, através
da criação de uma revista com a
qualidade das boas publicações
estrangeiras. A DRAGÕES surgiu
em abril de 1985 e desde então
já foram lançadas mais de 400
edições, disponíveis desde
2016 em formato eletrónico.
O FC Porto adaptou-se aos
novos meios de informação e
hoje em dia possui um portal
com várias funcionalidades,
perfis em redes sociais que são
líderes de popularidade em
Portugal e um canal televisivo
generalista com uma parte da
programação exclusivamente
dedicada ao clube.
3. No plano das modalidades,
Pinto da Costa partilhava a
ambição de, pela primeira
vez, o FC Porto conquistar um
campeonato nacional de hóquei
em patins, e esse título surgiu
logo em 1983. Entretanto, os
Dragões venceram mais 22 ligas
– incluindo dez consecutivas
entre 2002 e 2011 –, além de sete
troféus internacionais. O sucesso
estendeu-se a outros desportos
e já são quase incontáveis os
triunfos em competições de
andebol, basquetebol, boxe,
bilhar, natação, voleibol, etc. O
FC Porto desempenha ainda um
importante papel social através
da secção de desporto adaptado,
criada durante estes mandatos.
4. Por fim, no futebol, para lá
dos regressos de José Maria
Pedroto e de Fernando Gomes, a