Dragões #401 Abr 2020 | Page 21

Logo na temporada seguinte, com Tomislav Ivic, entraram nas vitrines das Antas a Supertaça Europeia e a Taça Intercontinental, que nunca tinham sido conquistadas por qualquer equipa portuguesa e que continuam a ser um exclusivo do FC Porto. Entretanto, Jorge Nuno O CLUBE COM QUE TODOS SONHAMOS O primeiro dia do resto das nossas vidas surgiu dois anos depois. Pinto da Costa envolveu-se na preparação de um movimento que tinha como propósito apresentar uma alternativa para o futuro do clube, e acabou a liderá-lo. A 17 de abril de 1982, encabeçou a única lista candidata aos órgãos sociais do FC Porto, depois da desistência da que era protagonizada por Afonso Pinto de Magalhães. O lema era simples e claro – “Em frente por um FC Porto diferente” –, a mensagem era ambiciosa – “Se queres um FC Porto forte em Portugal e na Europa, vota na lista B”. A mudança não seria fácil, até porque a situação financeira do clube era caótica, mas a nova direção soube dar a volta sem abdicar da fasquia desportiva que tinha sido colocada demasiado alta. Logo nesse verão, José Maria Pedroto e Gomes regressaram às Antas, conforme tinha sido prometido pelo novo presidente. E a eles juntaram-se reforços com a categoria de Eduardo Luís, Eurico, Inácio e Vermelhinho. A partir das sementes que já tinham sido lançadas entre 1976 e 1980, começava a ganhar forma o primeiro grande FC Porto de nível europeu e mundial. O caminho não foi percorrido sem sobressaltos. O maior foi a doença de Pedroto, que obrigou o treinador a deixar o banco a meio de 1983/84. Foi precisamente nessa época, com o até então adjunto António Morais no papel de técnico interino, que o FC Porto venceu os primeiros troféus desta nova era (Supertaça e Taça de Portugal) e estreou- se numa final europeia: a 16 de maio de 1984, os Dragões foram derrotados pela Juventus no jogo decisivo da Taça das Taças, um encontro muito marcado pelos erros de arbitragem. Foi com um discípulo do Mestre, Artur Jorge, que o FC Porto continuou a crescer, e cresceu ao ponto de atingir um patamar que alguns anos antes só poderia ter sido imaginado por sonhadores apelidados de lunáticos. A 27 de maio de 1987, os Dragões enfrentaram o Bayern de Munique, em Viena, na final da Taça dos Clubes Campeões Europeus. Na antevéspera, no aeroporto, Pinto da Costa tinha garantido: “Estar na final não chega. Não podemos garantir que a vamos vencer, mas podem ter a certeza de que nós vamos determinados para procurar vencer, e não para ficarmos muito contentes pelo facto de termos sido finalistas”. O FC Porto venceu mesmo, graças à magia de Madjer, à eficácia de Juary e à qualidade todo um grupo de topo. Foi apenas o primeiro de sete títulos internacionais. Pinto da Costa ia sendo eleito para sucessivos mandatos, e o palmarés do clube não parava de crescer. Na década de 90, os Dragões venceram oito de dez edições campeonato, cinco delas consecutivas – outro registo inédito e jamais superado no futebol português. E quando muitos já celebravam o fim desta hegemonia, após três épocas menos felizes, o clube soube adaptar-se às exigências do século XXI. Entre maio de 2003 e dezembro de 2004, com José Mourinho e Victor Fernández, o FC Porto venceu uma Taça UEFA, uma Liga dos Campeões e uma Taça Intercontinental, tornando-se o último clube de fora das cinco principais ligas do continente a sagrar-se campeão europeu. E ainda não tinham passado dez anos quando André Villas-Boas conduziu a equipa à vitória na Liga Europa, uma competição que desde então só foi vencida por formações espanholas e inglesas. Com Jorge Nuno Pinto da Costa como presidente, o FC Porto tornou-se o mais forte clube português – força atestada por sete títulos internacionais, que rivalizam com os dois do mais direto perseguidor – e um dos melhores do mundo. E se em 1982 isso parecia impossível, hoje em dia já é óbvio que este é o clube com que todos sonhamos. REVISTA DRAGÕES ABRIL 2020