Logo na temporada seguinte,
com Tomislav Ivic, entraram
nas vitrines das Antas a
Supertaça Europeia e a Taça
Intercontinental, que nunca
tinham sido conquistadas por
qualquer equipa portuguesa e que
continuam a ser um exclusivo do
FC Porto. Entretanto, Jorge Nuno
O CLUBE COM QUE TODOS SONHAMOS
O primeiro dia do resto das nossas
vidas surgiu dois anos depois.
Pinto da Costa envolveu-se na
preparação de um movimento
que tinha como propósito
apresentar uma alternativa para
o futuro do clube, e acabou a
liderá-lo. A 17 de abril de 1982,
encabeçou a única lista candidata
aos órgãos sociais do FC Porto,
depois da desistência da que
era protagonizada por Afonso
Pinto de Magalhães. O lema era
simples e claro – “Em frente por um
FC Porto diferente” –, a mensagem
era ambiciosa – “Se queres um
FC Porto forte em Portugal e
na Europa, vota na lista B”.
A mudança não seria fácil, até
porque a situação financeira do
clube era caótica, mas a nova
direção soube dar a volta sem
abdicar da fasquia desportiva que
tinha sido colocada demasiado
alta. Logo nesse verão, José Maria
Pedroto e Gomes regressaram
às Antas, conforme tinha sido
prometido pelo novo presidente.
E a eles juntaram-se reforços
com a categoria de Eduardo Luís,
Eurico, Inácio e Vermelhinho.
A partir das sementes que já
tinham sido lançadas entre 1976
e 1980, começava a ganhar forma
o primeiro grande FC Porto de
nível europeu e mundial.
O caminho não foi percorrido
sem sobressaltos. O maior foi a
doença de Pedroto, que obrigou
o treinador a deixar o banco a
meio de 1983/84. Foi precisamente
nessa época, com o até então
adjunto António Morais no
papel de técnico interino, que
o FC Porto venceu os primeiros
troféus desta nova era (Supertaça
e Taça de Portugal) e estreou-
se numa final europeia: a 16 de
maio de 1984, os Dragões foram
derrotados pela Juventus no
jogo decisivo da Taça das Taças,
um encontro muito marcado
pelos erros de arbitragem.
Foi com um discípulo do Mestre,
Artur Jorge, que o FC Porto
continuou a crescer, e cresceu ao
ponto de atingir um patamar que
alguns anos antes só poderia ter
sido imaginado por sonhadores
apelidados de lunáticos. A 27
de maio de 1987, os Dragões
enfrentaram o Bayern de Munique,
em Viena, na final da Taça dos
Clubes Campeões Europeus.
Na antevéspera, no aeroporto,
Pinto da Costa tinha garantido:
“Estar na final não chega. Não
podemos garantir que a vamos
vencer, mas podem ter a certeza
de que nós vamos determinados
para procurar vencer, e não para
ficarmos muito contentes pelo
facto de termos sido finalistas”. O
FC Porto venceu mesmo, graças
à magia de Madjer, à eficácia de
Juary e à qualidade todo um grupo
de topo. Foi apenas o primeiro
de sete títulos internacionais.
Pinto da Costa ia sendo eleito
para sucessivos mandatos, e o
palmarés do clube não parava
de crescer. Na década de 90, os
Dragões venceram oito de dez
edições campeonato, cinco delas
consecutivas – outro registo
inédito e jamais superado no
futebol português. E quando
muitos já celebravam o fim desta
hegemonia, após três épocas
menos felizes, o clube soube
adaptar-se às exigências do
século XXI. Entre maio de 2003
e dezembro de 2004, com José
Mourinho e Victor Fernández, o
FC Porto venceu uma Taça UEFA,
uma Liga dos Campeões e uma
Taça Intercontinental, tornando-se
o último clube de fora das cinco
principais ligas do continente a
sagrar-se campeão europeu. E
ainda não tinham passado dez
anos quando André Villas-Boas
conduziu a equipa à vitória na
Liga Europa, uma competição que
desde então só foi vencida por
formações espanholas e inglesas.
Com Jorge Nuno Pinto da Costa
como presidente, o FC Porto
tornou-se o mais forte clube
português – força atestada por
sete títulos internacionais, que
rivalizam com os dois do mais
direto perseguidor – e um dos
melhores do mundo. E se em 1982
isso parecia impossível, hoje em
dia já é óbvio que este é o clube
com que todos sonhamos.
REVISTA DRAGÕES ABRIL 2020