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O 25 DE ABRIL NO
FUTEBOL PORTUGUÊS
Foi na sequência de uma
tertúlia no café Orfeu em que
não suportou mais a gabarolice
dos participantes boavisteiros –
entusiasmados com os sucessos
de uma equipa que era treinada
por José Maria Pedroto – que Jorge
Nuno Pinto da Costa tomou uma
das decisões mais importantes da
sua própria vida e, sabemos agora,
da história do FC Porto: aceitou
o convite de Américo de Sá para 1974: a viragem a Norte. A ação
desta dupla pode ser dividida
em três eixos: a reorganização e
modernização da estrutura do
clube, que passou, por exemplo,
pelo aumento da privacidade e
das condições de concentração
da equipa de futebol através do
encerramento do bar público
que existia junto à entrada do
balneário das Antas; a construção
de um plantel mais forte, que ao
assumir a direção do futebol no
mandato dos órgãos sociais que
arrancaria em maio de 1976. Entre
as condições que impôs estavam
o regresso de Pedroto ao banco
azul e branco e a autonomia do
departamento de futebol face
às restantes secções do clube.
Durante os quatro anos seguintes,
Jorge Nuno Pinto da Costa e
José Maria Pedroto foram os
rostos mais visíveis da principal
transformação do futebol
português no pós-25 de abril de longo das quatro épocas implicou
contratações como as de Duda,
Fonseca, Frasco, Freitas, Jaime
Pacheco, Lima Pereira e Sousa;
e o desenvolvimento de um
discurso de denúncia e combate
ao centralismo crónico do país
e aos seus efeitos no futebol.
A estratégia deu resultado.
Apesar de todos os obstáculos
que foi preciso contornar, em
1977 foi conquistada a Taça
de Portugal, que escapava
desde 1968, e em 1978 e 1979
o FC Porto foi bicampeão,
quebrando um interregno de
19 anos sem vencer o principal
troféu nacional. O tri não foi
alcançado por circunstâncias
alheias ao mérito desportivo de
cada equipa, sublimadas pela
Santa Aliança que uniu adeptos
do Benfica e do Sporting contra
o cada vez mais temível porta-
estandarte do Norte na final
da Taça de Portugal de 1980.
Nesse ano, o verão foi quente
no FC Porto, e a falta de unidade
em relação à postura combativa
do clube e à sua estratégia
para o futuro ditou as saídas
de Jorge Nuno Pinto da Costa,
de José Maria Pedroto e de
uma parte dos jogadores.