Dragões #401 Abr 2020 | Page 20

20 O 25 DE ABRIL NO FUTEBOL PORTUGUÊS Foi na sequência de uma tertúlia no café Orfeu em que não suportou mais a gabarolice dos participantes boavisteiros – entusiasmados com os sucessos de uma equipa que era treinada por José Maria Pedroto – que Jorge Nuno Pinto da Costa tomou uma das decisões mais importantes da sua própria vida e, sabemos agora, da história do FC Porto: aceitou o convite de Américo de Sá para 1974: a viragem a Norte. A ação desta dupla pode ser dividida em três eixos: a reorganização e modernização da estrutura do clube, que passou, por exemplo, pelo aumento da privacidade e das condições de concentração da equipa de futebol através do encerramento do bar público que existia junto à entrada do balneário das Antas; a construção de um plantel mais forte, que ao assumir a direção do futebol no mandato dos órgãos sociais que arrancaria em maio de 1976. Entre as condições que impôs estavam o regresso de Pedroto ao banco azul e branco e a autonomia do departamento de futebol face às restantes secções do clube. Durante os quatro anos seguintes, Jorge Nuno Pinto da Costa e José Maria Pedroto foram os rostos mais visíveis da principal transformação do futebol português no pós-25 de abril de longo das quatro épocas implicou contratações como as de Duda, Fonseca, Frasco, Freitas, Jaime Pacheco, Lima Pereira e Sousa; e o desenvolvimento de um discurso de denúncia e combate ao centralismo crónico do país e aos seus efeitos no futebol. A estratégia deu resultado. Apesar de todos os obstáculos que foi preciso contornar, em 1977 foi conquistada a Taça de Portugal, que escapava desde 1968, e em 1978 e 1979 o FC Porto foi bicampeão, quebrando um interregno de 19 anos sem vencer o principal troféu nacional. O tri não foi alcançado por circunstâncias alheias ao mérito desportivo de cada equipa, sublimadas pela Santa Aliança que uniu adeptos do Benfica e do Sporting contra o cada vez mais temível porta- estandarte do Norte na final da Taça de Portugal de 1980. Nesse ano, o verão foi quente no FC Porto, e a falta de unidade em relação à postura combativa do clube e à sua estratégia para o futuro ditou as saídas de Jorge Nuno Pinto da Costa, de José Maria Pedroto e de uma parte dos jogadores.