FINANÇAS
OUTUBRO 2026 REVISTA DRAGÕES
SEM RECEITAS DA CHAMPIONS, O FC PORTO AUMENTOU OS PROVEITOS OPERACIONAIS EM 13 % E REDUZIU A DÍVIDA FINANCEIRA LÍQUIDA EM 29 MILHÕES, NUMA ÉPOCA DE INVESTIMENTO RECORDE NO PLANTEL.
continuidade dos principais elementos do plantel. Este indicador corresponde ao resultado das operações e não ao total dos preços de venda. A data em que os negócios se concretizam também faz diferença. O exercício encerrou a 30 de junho e a transferência de Rodrigo Mora ocorreu depois, pelo que será refletida nas contas de 2026 / 27. Segundo o presidente, a conclusão dessa operação antes do fecho teria permitido apresentar um resultado positivo. O exercício terminou com um resultado líquido consolidado negativo de 21,1 milhões de euros e a parcela atribuível aos acionistas da SAD foi negativa em 26,3 milhões. O primeiro valor corresponde ao resultado do grupo e o segundo à parte atribuível aos acionistas da SAD, descontada a parcela que cabe aos restantes acionistas das empresas participadas.“ Os três grandes do futebol português têm de vender para manter o equilíbrio financeiro”, lembrou Villas-Boas. A
José Pedro Pereira da Costa e André Villas-Boas apresentaram as contas de uma época de investimento recorde no plantel e crescimento das receitas, com a continuidade do sucesso desportivo e o reforço da sustentabilidade financeira entre as prioridades.
valorização dos jogadores permite preparar essas operações, procurando conciliar o momento desportivo com as oportunidades de mercado.
Investir para crescer As contas incluíram também uma mais-valia de 9,2 milhões de euros com a venda da Porto Seguro à MDS. No acordo com a Ithaka, o cumprimento de uma meta ligada ao desempenho da bilhética acrescentou 15 milhões ao valor da alienação de 30 % da Porto StadCo, que atingiu assim 80 milhões de euros. O resultado operacional consolidado foi positivo em 2,6 milhões, antes das restantes componentes que concorrem para o resultado final, entre as quais os encargos financeiros e os impostos. Na dívida, a redução de 29 milhões de euros foi acompanhada por prazos mais longos e um custo médio inferior. Trata-se da dívida financeira líquida, que desconta as disponibilidades financeiras ao valor dos financiamentos. É diferente do passivo, que inclui outras obrigações, como pagamentos a fornecedores ou relativos à contratação de jogadores. O administrador José Pedro Pereira da Costa explicou que o crescimento do passivo acompanha o investimento no plantel e nas infraestruturas. A prioridade, referiu o responsável financeiro, passa por controlar a dívida que gera juros e aplicar os recursos em projetos capazes de produzir retorno. No Dragão, esse trabalho já é visível. O compromisso de investimento de cerca de 30 milhões de euros abrangeu espaços de hospitalidade, bares e iluminação. Segundo Pereira da Costa, a oferta de lugares nas áreas premium renovadas esgotou, criando condições para aumentar as receitas.“ Queremos continuar a melhorar cada vez mais a experiência dos adeptos no estádio”, afirmou o administrador financeiro. Os próximos passos incluem a substituição da cobertura e a intenção de disponibilizar mais lugares de bancada e de hospitalidade. Outro projeto central é o Centro de Alto Rendimento, destinado às equipas profissionais e que permitirá à formação beneficiar de melhores condições no Olival. Com o licenciamento obtido, estão em análise as propostas de construção e as soluções de financiamento para uma obra cujo custo deverá superar os 40 milhões de euros. Para 2026 / 27, o regresso à Liga dos Campeões, a transferência de Rodrigo Mora e o crescimento comercial sustentam perspetivas mais favoráveis. A continuidade dos principais protagonistas do título mantém a ambição desportiva no centro do projeto.
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