Dragões #479 Out 2026 | Page 66

FINANÇAS
OUTUBRO 2026 REVISTA DRAGÕES

Investir e reforçar receitas

A conquista do 31.º título de campeão nacional marcou uma época de investimento recorde no plantel, crescimento das receitas e redução da dívida financeira líquida. As contas da SAD do FC Porto de 2025 / 26 ajudam a compreender o alcance dessa aposta e os próximos passos para dar continuidade ao sucesso desportivo e reforçar a sustentabilidade financeira.

As contas de uma época também contam a história das escolhas feitas dentro de campo. Em 2025 / 26, o FC Porto investiu na renovação da equipa, preservou os principais jogadores e recuperou o título nacional. Ao mesmo tempo, aumentou as receitas em todas as áreas operacionais e reduziu a dívida financeira líquida em 29 milhões de euros. O exercício retrata esse esforço de crescimento, num ano ainda sem as receitas da Liga dos Campeões. A aposta no plantel foi a maior de sempre. Aos cerca de 110 milhões de euros investidos no mercado de verão juntaram-se as operações do inverno, elevando o total das aquisições definitivas para perto dos 120 milhões. Nas saídas, a opção foi igualmente clara: nenhum dos jogadores transferidos tinha integrado o grupo dos mais utilizados na temporada anterior.“ Recuperar o título nacional era uma obrigação e agora manter o FC Porto no primeiro lugar é a nossa responsabilidade”, afirmou André Villas- Boas na apresentação dos resultados. O investimento permitiu reunir uma equipa com mais soluções e qualidade, capaz de responder à exigência de voltar a ganhar. Essa escolha tem expressão nas contas, desde os custos de contratação aos salários. O presidente apontou as chegadas de Jan Bednarek e Jakub Kiwior, provenientes do futebol inglês, e as renovações de Diogo Costa e Pepê como exemplos da aposta que contribuiu para o aumento dos encargos com o pessoal. Os quase 120 milhões aplicados em aquisições não são, contudo, contabilizados integralmente como despesa de uma única época. Em regra, o custo de contratação de um jogador é distribuído pelos anos de contrato. É uma distinção útil para perceber como um investimento realizado num verão se reflete nas contas de várias temporadas.

O apoio também se conta O crescimento das receitas acompanhou a mobilização dos adeptos. Os proveitos operacionais aumentaram 13 %, mais 17,8 milhões de euros, com subidas nos prémios da UEFA, na bilhética, no merchandising, na publicidade e nos espaços de hospitalidade. A bilhética cresceu 33 % e o merchandising 31 %. O recorde de Lugares Anuais vendidos e a elevada ocupação do Dragão traduziram em receitas uma ligação que se sente nas bancadas.“ Há toda uma nova dinâmica à volta do clube que é positiva e temos de estar muito gratos aos sócios”, sublinhou Villas-Boas. Este reforço da atividade comercial alarga as fontes de rendimento do FC Porto. A participação na Liga dos Campeões e as transferências de jogadores continuam, ainda assim, a ter um peso determinante no equilíbrio financeiro, como sucede nos principais clubes portugueses. Em 2025 / 26, o resultado com as cedências de jogadores atingiu 56 milhões de euros, abaixo da média dos últimos anos, num contexto de
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