CLUBE
OUTUBRO 2026 REVISTA DRAGÕES
agradecimento alcançou António Nicolau d’ Almeida e José Monteiro da Costa, os homens das origens, e Jorge Nuno Pinto da Costa, pela“ radical transformação que fez do FC Porto um clube vencedor, único e singular”. Fundar, dar continuidade e transformar são responsabilidades de épocas diferentes que se encontram na mesma história. Villas-Boas alargou ainda essa memória aos ídolos das várias modalidades, incluindo algumas que o clube já não pratica, mas que continuam a significar muito para quem as acompanhou. A observação lembra que o portismo se construiu em muitos lugares. Num campo, num pavilhão, numa piscina ou numa estrada, houve atletas que deram a alguém uma razão para começar a seguir o FC Porto. O futebol ocupa uma parte decisiva dessa relação, mas a história de cada adepto pode ter outros protagonistas. O aniversário foi também ocasião para pensar a forma de reunir quem mantém essa ligação. Villas-Boas reiterou a intenção de aproximar as comemorações da fundação, o Dia do Clube e a entrega dos Dragões de Ouro. A escolha de 7 de outubro para a gala deste ano resultou da conjugação possível com a paragem internacional. O propósito
estende-se, porém, para lá de uma edição, fazendo destes momentos uma celebração mais participada, capaz de reconhecer quem contribuiu para os êxitos desportivos e de envolver os associados na festa do seu clube. O reconhecimento traz com ele escolhas difíceis.“ Há muita gente que já deveria ter sido recompensada com um Dragão de Ouro”, admitiu o presidente, defendendo que as homenagens sejam feitas, sempre que possível, em vida. Num clube com 133 anos, a lista de quem merece um agradecimento será sempre maior do que a de quem pode subir ao palco numa noite. Essa diferença é também uma responsabilidade para quem escolhe e para quem preserva a memória. A celebração aconteceu depois de uma época bem-sucedida e num início de campeonato que, à data, somava sete triunfos em sete jornadas. Villas-Boas valorizou a confiança de uma equipa unida em torno do treinador, mantendo a exigência sobre o que faltava disputar. Talvez, entre os que acompanharam aquela manhã, alguma criança venha um dia a recordar a bandeira a subir, o hino ou a mão de quem a levou ao Dragão. O FC Porto fez 133 anos e continua a começar na vida de alguém.
65