Dragões #479 Out 2026 | Page 64

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OUTUBRO 2026 REVISTA DRAGÕES

O Porto de cada um

O FC Porto celebrou 133 anos com homenagens a quem o fez crescer e uma recordação de André Villas-Boas que podia pertencer a muitos outros portistas: a primeira imagem que guarda de ver a equipa entrar em campo. Da memória de uma criança ao reconhecimento de um presidente, cabe muito daquilo que faz um clube perdurar.

A ndré Villas-Boas estava às cavalitas do tio. No ar, esvoaçavam confetes azuis e brancos enquanto, no campo, corriam os jogadores do FC Porto. Quando lhe pediram que escolhesse a memória mais marcante da sua vida enquanto portista, foi essa a imagem que recuperou. O homem que ganhou como treinador e como presidente voltou ao lugar da criança que descobria aquelas cores e a explicação coube numa frase:“ A consciência do azul e branco.” A recordação surgiu na manhã de 28 de setembro, durante as comemorações do 133.º aniversário do clube, e trouxe outras com ela: a bola ou a camisola recebida no Natal, a roupa escolhida para uma festa de anos, o entusiasmo de ver onze jogadores a defender o mesmo emblema.“ Tudo isto são memórias que atravessam crianças, adultos e que passam de geração em geração. Guardarei para sempre tudo isto no coração”, afirmou. O calendário conta os anos do FC Porto a partir de 1893, mas cada adepto tem também o seu começo, mesmo quando já não sabe precisar a data. Essa dimensão pessoal ajuda a perceber o sentido das homenagens que marcaram a manhã. Os nomes inscritos na história do clube pertencem também à vida de quem os viu jogar, trabalhar ou dirigir e recordálos é recuperar uma parte desse tempo: o lugar na bancada, a companhia de então, uma tarde inteira que ficou na memória. Junto à Porta 1 do Estádio do Dragão, as cerimónias começaram com o hastear da bandeira ao som do hino. André Villas- Boas depositou coroas de flores junto dos bustos de Rui Filipe e Pavão, num gesto dedicado também aos sócios, atletas, treinadores e dirigentes já falecidos. No Dragão Arena, a homenagem foi para Alfredo Quintana. Três nomes de diferentes gerações, ligados a duas modalidades, que os portistas continuam a reconhecer com uma proximidade que o tempo não desfez. A passagem pelo Mausoléu do FC Porto, no Cemitério de Agramonte, alargou esse encontro com o passado. Inaugurado a 4 de agosto de 1968, durante a presidência de Afonso Pinto de Magalhães, o espaço acolhe nove personalidades da história do clube, entre elas Pinga, Pavão e José Maria Pedroto. A homenagem chega, assim, a figuras que muitos dos atuais adeptos só conheceram através de fotografias, relatos e histórias contadas por outros. Nas palavras do presidente, o

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