ANDEBOL
SETEMBRO 2026 REVISTA DRAGÕES
“ CONSEGUIMOS, DESDE O PRIMEIRO MINUTO, MOSTRAR A NOSSA IDENTIDADE, A IDENTIDADE DE UMA EQUIPA CAMPEÃ, AGUERRIDA E QUE VAI CORRER E LUTAR.”
representar o país … acho que nem nos melhores sonhos imaginava isto. Sempre foi um sonho distante até à primeira convocatória. Depois pude partilhar o dia a dia com ídolos, jogar e treinar com eles, foi muito marcante. Foi muito importante viver e conversar com pessoas que já estavam ao mais alto nível há muito tempo para evoluir e amadurecer como atleta. Procurei aprender ao máximo em todos os momentos. A primeira chamada à seleção deixou-me muito feliz e ainda me lembro do primeiro torneio, que se realizou no Brasil. Poder estar em casa, ouvir o hino e ter o apoio dos adeptos … é algo que vou guardar comigo para sempre. Espero ter mais oportunidades dessas. Quando a seleção chama, não tenho coragem de dizer não. Sempre que tiver oportunidade, será um enorme prazer estar com o grupo e poder representar o meu país.
Mudou-se depois para França, para mais uma liga de topo. Como foi essa experiência? A ida para França foi muito mais complicada, porque era um idioma novo, uma cultura nova, uma cidade nova e um ambiente totalmente diferente. Ter de me adaptar a tudo isso não foi fácil. Procurei chegar a França o mais preparado possível, tentei estudar o idioma antes, mas claro que foi muito difícil. Foi lá que senti pela primeira vez um grande impacto, porque muitas vezes não conseguia perceber o que me pediam e não conseguia comunicar exatamente como queria. Foi toda essa aprendizagem que tive nos meus dois anos em França que me fez chegar a um clube tão grande como o FC Porto. Lá partilhei o balneário e joguei contra grandes adversários, tinha de me preparar sempre para jogos de alto nível. Lutávamos pela permanência e sabíamos que havia jogos fundamentais, mas a cada fim de semana podíamos ganhar ou perder, havia sempre muita pressão. Ganhámos ao HC Nantes, que é um histórico da Champions, por exemplo. A liga francesa ajudou-me imenso a crescer como atleta e a experiência de passar por um novo país com uma cultura diferente ajudou-me a evoluir também como ser humano, o que acho que é igualmente importante.
Foi convocado para o Mundial e ajudou o Brasil a conseguir o melhor resultado de sempre. Como viveu esse momento? Foi um Mundial muito especial para todos. Não tenho palavras para definir aquela experiência. Estávamos focados em dar o nosso melhor e sabíamos que tínhamos possibilidades de chegar aos quartos de final, mas aquelas vitórias frente à Noruega, à Suécia e à Espanha são jogos que vou guardar para sempre comigo. Foram sensações que jamais esperava viver. É sempre um prazer representar o Brasil e fazer história com a camisola do meu país é algo que vou guardar sempre na memória. Temos uma boa equipa, que tem vindo a preparar-se bem nos últimos anos, e a ideia é sonharmos cada vez mais alto. Se conseguimos chegar aos quartos de final, no próximo Mundial queremos colocar a fasquia ainda mais alta e até, quem sabe, lutar por uma medalha.
Defrontaram também Portugal e o Guilherme mediu forças com alguns dos futuros colegas. Que referências tinha deles? Já conhecia muitos dos meus colegas, não só por jogar contra Portugal, mas por acompanhar a modalidade. O FC Porto é um grande clube que está sempre nas melhores competições europeias, por isso é natural que já conhecesse a qualidade destes jogadores. Ainda assim, há alguns que impressionam pessoalmente. Tive a oportunidade de jogar contra eles e é muito difícil quando estamos do outro lado do campo. Hoje, ao partilhar o balneário com eles, percebo que é bem mais fácil estar deste lado.
Na seleção, jogou com o Gustavo Rodrigues. Chegaram a falar sobre o clube? Conversei mais com ele quando a negociação já estava praticamente fechada, principalmente para tentar obter algumas referências sobre como tudo funciona aqui, como funciona a estrutura do clube e o feedback que tinha dos anos que passou aqui. Tal como todos os
atletas com quem falei, só me soube dar indicações positivas. É um grande amigo e ajudou-me muito na minha vinda para cá.
Como surgiu o convite do FC Porto? Sabia do interesse do clube. No final de maio, começaram a existir algumas conversas até efetivarem a proposta. Junho foi um mês muito complicado para mim, tinha contrato com um clube e o FC Porto estava a tentar chegar a acordo para que tudo se resolvesse e pudesse vir para cá. Foi um período de muita apreensão, queria muito vir para cá e estava a fazer tudo o que era possível para que acontecesse. Já no final desse mês, se não me engano no dia 28, finalmente chegou o desfecho positivo. Fiquei muito contente e guardo essa data porque sei o quão difícil foi. Hoje estou muito feliz por poder estar aqui.
Quais são as primeiras impressões do clube e da cidade? Já tinha vindo cá algumas vezes de férias e sou um apaixonado pela cidade do Porto. Já conheci os principais pontos turísticos e dei uma volta pela cidade. Sobre o clube, não tenho palavras para descrever estes primeiros meses. A receção de toda a gente … fui realmente abraçado por
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