Dragões #478 Set 2026 | страница 50

EM FORMAÇÃO
SETEMBRO 2026 REVISTA DRAGÕES

QUANDO O FUTURO VAI À ESCOLA

A Dragon Force chega aos 18 anos com 50 escolas em quatro continentes e prepara-se para ultrapassar os 10.000 alunos até ao final de 2026. Os números medem o crescimento, mas os percursos de Rodrigo Mora, Gonçalo Sousa ou Mateus Mide explicam melhor um projeto que nasceu para ensinar futebol sem se limitar ao futebol.

No dia 6 de setembro de 2008, cerca de 400 crianças deram os primeiros passos na primeira escola de futebol Dragon Force. O Campo da Constituição já conhecia muitas gerações de jogadores, mas aquela manhã abriu uma porta diferente: a metodologia do FC Porto passava a chegar a quem queria aprender, viesse ou não a tornar-se futebolista. O nome anunciava força, a idade dos alunos recomendava cuidado. Desde o início, o projeto trabalhou as duas dimensões. Ensinar a receber, passar, decidir e competir, mas também a respeitar regras, colegas e adversários. Formar jogadores quando o talento o permitisse, ajudando a formar pessoas em todos os casos. Dezoito anos depois, a ideia inicial conservase reconhecível, embora quase tudo à sua volta tenha crescido.

UMA ESCOLA COM SAÍDA A competição chegou em 2009, com as primeiras equipas de sub-11 e sub- 13, e deu continuidade ao percurso. Um ano mais tarde, a Dragon Force obteve a certificação ISO 9001 para a gestão das escolas e a realização de eventos, ao mesmo tempo que começou a expandirse pelo país. Em 2011 nasceu a Seleção Nacional Dragon Force, criada para reunir os melhores jogadores de cada escalão e aproximá-los da formação do FC Porto. Essa ligação deixou há muito de ser apenas uma possibilidade. Na época 2025 / 26, um em cada quatro atletas das equipas de formação tinha passado pelas escolas Dragon Force. Para a nova temporada, outros 17 deram o mesmo passo. A rede alarga a observação e permite que a evolução não dependa de um instante isolado, mas de anos de trabalho conhecido. Rodrigo Mora ajuda a contar essa história desde o princípio. Chegou à
Dragon Force Custóias em 2012, com cinco anos, e estreou-se pela equipa principal do FC Porto em 2024. Gonçalo Sousa, também lançado nesse ano, percorreu a mesma linha. Juntos, tornaram-se os primeiros jogadores a começar nas escolas do projeto e a alcançar a equipa A. O ponto de partida tornou-se um caminho completo. Mateus Mide acrescentou-lhe outra escala. Também entrou aos cinco anos, na Dragon Force Porto, e em 2025 sagrou-se campeão mundial de sub-17 por Portugal e foi distinguido como melhor jogador da competição. Entre a primeira bola e o prémio internacional cabem anos de aprendizagem, seleção e exigência. Cabem, sobretudo, provas de que formar cedo não significa apressar.
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