Dragões #478 Set 2026 | страница 51

EM FORMAÇÃO
SETEMBRO 2026 REVISTA DRAGÕES
CRESCER SEM PERDER O CENTRO O percurso também se escreveu fora do futebol masculino. Em 2012, o modelo foi alargado ao andebol, basquetebol e hóquei em patins, seguindo-se a natação e o bilhar. Quando essas escolas ganharam sustentabilidade e organização própria, passaram, em 2019, para as estruturas das modalidades, permitindo à Dragon Force voltar a concentrar-se no futebol. As primeiras equipas femininas nasceram em 2013 e 2014. Quatro anos depois, o projeto reunia 120 jogadoras e estava representado em todos os escalões de formação. Também os eventos deixaram de ser um complemento: a partir de 2017, ganharam lugar central e hoje são mais de 40 por época, com cerca de 7.500 participantes. Em 2018, somadas todas as modalidades, a Dragon Force já tinha ultrapassado os 6.000 alunos. Nem a interrupção global de 2020 interrompeu a ligação. Durante a pandemia, a Dragon Force transferiu treinos e atividades para o espaço digital e manteve ativos cerca de 75 % dos alunos, além de obter o selo COVID Safe da APCER. A resposta
revelou capacidade de adaptação, mas também confirmou que uma escola não vive apenas do local onde se treina. Nos anos seguintes, o acompanhamento tornou-se mais completo. Psicologia, pedagogia e nutrição reforçaram a atenção dada a cada atleta. A Caderneta Virtual aproximou as escolas das famílias e simplificou processos. A comunicação acompanhou a mudança: os conteúdos Dragon Force ultrapassam atualmente 17 milhões de visualizações anuais nas redes sociais.
DA CONSTITUIÇÃO PARA O MUNDO A expansão internacional, preparada desde 2013, ganhou uma morada física dez anos depois. Fortaleza recebeu, em 2023, a primeira escola Dragon Force by FC Porto. Hoje são dez fora de Portugal, distribuídas pelo Brasil, México, Chipre, Turquia, Zimbabué, Moçambique, Cabo Verde e Índia. A rede completa 50 escolas em quatro continentes e mobiliza mais de 520 colaboradores e profissionais do FC Porto. Em Portugal, mais de 5.000 raparigas e rapazes integram o projeto e cerca de 3.000 treinam e competem em diferentes
regiões. O crescimento de 66 % em relação à época anterior dá expressão a uma marca que não exporta apenas o nome. O que viaja é um método, com princípios de treino, critérios de acompanhamento e uma identidade comum, adaptado a realidades muito diferentes. André Villas-Boas assinalou a maioridade com um objetivo concreto: chegar a 2030 com 60 escolas em Portugal e 40 no plano internacional. O mapa da expansão aponta a novos distritos, aos Açores e a mercados como Espanha, Itália, Polónia, Marrocos, Colômbia, Estados Unidos, Canadá, China e Arábia Saudita. Crescer continuará a ser abrir portas, mas também preparar melhor quem ensina e preservar a ligação ao futebol de formação e profissional. Dezoito anos costumam marcar a entrada na idade adulta, mas na Dragon Force servem para olhar para trás e encontrar 400 crianças no Campo da Constituição, para olhar em redor e ver milhares de atletas ligados pelo mesmo modelo e para olhar em frente sem confundir maioridade com obra concluída. Num projeto em que tantas histórias começam aos cinco anos, fazer 18 significa apenas ter mais futuro para formar.
51