Dragões #478 Set 2026 | Page 49

EM FORMAÇÃO
SETEMBRO 2026 REVISTA DRAGÕES
SEIS JOGOS EM TRÊS DIAS, 16 GOLOS E UMA ÚNICA DERROTA, CORRIGIDA FRENTE AO MESMO ADVERSÁRIO. O FC PORTO VENCEU O BAYERN NOS PENÁLTIS E DIEGO LEMOS FOI ELEITO O MELHOR JOGADOR, COM OITO GOLOS.

O calendário comprimia uma competição europeia inteira em três dias. Entre sexta-feira e domingo, a equipa orientada por José Miranda defrontou Arsenal, Inter de Milão, Paris Saint-Germain, Galatasaray e Bayern. Barcelona e Chelsea completavam um quadro com oito emblemas habituados aos maiores palcos, embora os protagonistas ainda joguem nos sub-15. A entrada foi inequívoca. O FC Porto marcou cinco golos ao Arsenal, três ainda antes do intervalo, e Diego Lemos abriu com um bis a conta individual que continuaria a aumentar durante o fim de semana. O encontro seguinte retirou qualquer ilusão de facilidade: o Inter venceu por 1-0 e impôs a única derrota do torneio. A resposta chegou ainda na fase de grupos, com um triunfo por 3-1 diante do Paris Saint-Germain. Nos quartos de final, o Galatasaray sofreu quatro golos, todos antes do intervalo. Em duas partidas, o FC Porto passou da primeira contrariedade para sete golos marcados e um lugar entre os quatro melhores. O quadro das meias-finais devolveu o Inter ao percurso portista. Tinham passado menos de dois dias sobre o primeiro encontro, mas a repetição do adversário não produziu a repetição do jogo: o 0-1 transformou-se num 3-0, com mais dois golos de Diego Lemos. Num torneio tão curto, a

Diego Lemos transformou quatro jogos em quatro bis e terminou a Elite Cup com oito golos, metade da produção portista. Dante entregoulhe o prémio de melhor jogador da quarta edição.
melhor demonstração de evolução coube entre duas fichas de jogo. Michael Wiesinger, responsável pela formação do Bayern, explicou que a Elite Cup não se limita aos resultados, mas observa a forma como as equipas se apresentam, lidam com a adversidade e se protegem em campo. A formulação ajuda a ler o percurso do FC Porto: a única derrota tornou-se matéria para a vitória que colocou a equipa na final.
Um ano entre duas finais Munique já guardava uma história portista recente. Em 2025, os sub-15 tinham atingido o último jogo da Elite Cup depois de vencerem o grupo e afastarem Chelsea e Inter, mas o Paris Saint-Germain ganhou a final por 3-0. Doze meses depois, o FC Porto voltou a encontrar-se no mesmo lugar, desta vez perante o Bayern. Num escalão de formação, um ano altera gerações e entrega o desafio a outro grupo. Ainda assim, duas presenças consecutivas na final mostram que o resultado não nasceu de uma passagem isolada, com o trabalho a prosseguir e o segundo lugar de 2025 a ganhar uma resposta na edição seguinte. Cerca de 1100 pessoas assistiram à decisão no FC Bayern Campus. A equipa da casa tinha chegado à final sem derrotas, depois de superar o Barcelona nos penáltis, e estava em vantagem ao intervalo. O FC Porto igualou na segunda parte e levou a decisão para a marca dos onze metros. No desempate, venceu por 4-3 e fechou a prova no primeiro lugar. A final não teve a abundância ofensiva dos jogos anteriores, mas exigiu uma qualidade diferente. Depois de marcar 15 golos nas cinco primeiras partidas, o FC Porto precisou de recuperar de uma desvantagem e decidir sob a pressão de cada penálti.
Oito golos e um prémio Diego Lemos concentrou a parte mais visível da campanha. O avançado angolano marcou oito vezes e terminou isolado no topo dos goleadores, à frente de Messie Bolou, do Paris Saint-Germain, com seis, e de Bryson Ngatchou, do Bayern, com quatro. Os oito golos nasceram de quatro jogos e sempre aos pares, desde a estreia frente ao Arsenal até ao reencontro com o Inter. Representaram exatamente metade dos 16 marcados pelo FC Porto, sem esgotarem a produção de uma equipa que encontrou os restantes oito golos noutras soluções e sofreu apenas três em toda a prova. O desempenho não surgiu sem antecedentes. Na época anterior, Diego tinha integrado o grupo que conquistou o campeonato nacional de sub-15 e marcou diante do Benfica no jogo em que o FC Porto recebeu o troféu. Munique acrescentou dimensão internacional a esse percurso e entregou-lhe uma imagem com valor próprio: no final, recebeu de Dante, antigo internacional brasileiro ligado à história do Bayern, o prémio de melhor jogador da Elite Cup. A distinção reconhece três dias excecionais sem precisar de antecipar uma carreira. Neste escalão, a prova vale também pela experiência que oferece perante adversários diferentes, decisões sucessivas e pouco tempo para corrigir. O FC Porto saiu de Munique com o troféu, o melhor marcador e o melhor jogador, mas a vitória talvez se explique melhor noutro dado. A equipa encontrou duas vezes o único adversário que a venceu e, à segunda, não lhe concedeu sequer um golo. Entre uma partida e a outra coube a distância mais importante da Elite Cup, precisamente aquela que separa receber uma lição de saber utilizá-la.
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