MERCADO
SETEMBRO 2026 REVISTA DRAGÕES
Seko Fofana resumiu a vontade que manteve após a despedida:“ Sempre quis regressar ao FC Porto.” Depois de ajudar a recuperar o título de campeão nacional na segunda metade de 2025 / 26, o médio costa-marfinense está novamente cedido pelo Rennes até ao final da temporada.
Rodrigo Mora transferiu-se para a Roma numa operação que garantiu 25 milhões de euros por metade dos direitos económicos e poderá elevar o valor global aos 50 milhões. Foi o maior negócio do verão e aquele que mais alterou simultaneamente as contas e o perfil do plantel. Mora concentrava qualidades difíceis de reproduzir, criatividade em espaços curtos, capacidade para receber entre linhas, último passe, chegada à área e golo, mas o FC Porto não procurou uma cópia. Distribuiu essas funções por jogadores diferentes. Inbeom pode acelerar a circulação e encontrar passes verticais a partir de zonas mais recuadas. Gabri Veiga mantém influência na criação e aproxima-se da área. Os extremos oferecem desequilíbrio exterior ou interior. André Silva e Giménez aumentam as combinações junto da frente. Gabriel Mec apresenta afinidades com Mora, mas Farioli tratou de definir a diferença:“ Tem algumas características do Rodrigo Mora, mas é mais um ala interior, um médio ofensivo.” A resposta à saída mais importante não está, assim, num nome, está na forma como a equipa conseguirá repartir aquilo que antes encontrava num único jogador. Essa solução amplia as combinações, mas também exige coordenação, porque distribuir funções só resulta se a soma conservar a influência que se perdeu. A venda de Mora, acompanhada pelas transferências de Deniz Gül, Danny Namaso, Stephen Eustáquio, Ángel Alarcón e Domingos Andrade, permitiu ao FC Porto fechar o período com uma diferença nominal positiva. Os valores tornados públicos apontam para 47,75 milhões de euros recebidos e 37,435 milhões investidos em contratações para as equipas A e B, sem contar com objetivos futuros. A diferença de 10,315 milhões entre receitas e investimento fixo mostra como o FC Porto conjugou o reforço da equipa principal e da formação com um saldo nominal positivo. Compras, cedências e apostas em jogadores mais novos distribuíram o investimento por necessidades e prazos distintos. No plano desportivo, a resposta à saída de Mora não passou por uma substituição direta. O FC Porto repartiu por vários jogadores a criatividade, a chegada e o desequilíbrio que o médio concentrava, oferecendo a Farioli mais combinações e diferentes formas de construir a equipa.
UM FUTURO SEM PRESSA Gabriel Mec situa-se entre os dois tempos do mercado. Aos 18 anos, foi a segunda contratação mais cara do verão portista: 11 milhões de euros, aos quais poderá somar-se mais um milhão. Chegou depois de se afirmar na equipa principal do Grêmio, mas ficou fora da lista A entregue à UEFA para a fase de liga da Champions. A decisão parece contraditória apenas se o valor da transferência for confundido com a obrigação de jogar imediatamente. O limite de 17 jogadores não formados localmente obrigou Francesco Farioli a fazer escolhas e deixou também Dominik Prpić fora da competição. No caso de Mec, o treinador foi explícito:“ Tem de crescer fisicamente e taticamente, mas não há pressa para o forçar para a equipa.” O verbo muda outra vez. Kiwior ficou para continuar, André e Seko voltaram para ajudar já, Hwang chegou depois de anos de observação e os empréstimos responderam a necessidades imediatas. Mec entrou para crescer. O investimento não compra apenas o jogador que existe, antecipa aquele que poderá existir. A mesma lógica prolongou-se na equipa B, reforçada com vários jovens recrutados em Portugal e no estrangeiro. A distância até ao plantel principal será diferente em cada caso, como serão diferentes os percursos, as cedências ou o tempo necessário para chegar. O FC Porto não tratou a equipa secundária como o lugar para onde sobra quem ainda não cabe na primeira. Usou-a como espaço de investimento próprio. É possível, por isso, que o segundo maior investimento do verão não tenha lugar europeu e que jogadores contratados sem pagamento de transferência ou por empréstimo apareçam primeiro. O preço estabelece uma expectativa, mas não deve impor um calendário. André Villas-Boas tinha prometido manter a base e trabalhar de forma silenciosa. No final, o FC Porto tornou Kiwior definitivo, acrescentou seis jogadores à equipa principal, investiu em talento jovem e conservou um saldo nominal positivo. Cumpriu a primeira parte sem confundir continuidade com imobilidade. Lido apenas pelos nomes, o mercado apresenta reforços, saídas e valores. Lido pelos verbos, revela uma construção mais complexa: ficar, voltar, insistir, emprestar, vender e esperar.
43