MERCADO
SETEMBRO 2026 REVISTA DRAGÕES
Fofana voltou muito menos tempo depois. Tinha chegado por empréstimo na segunda metade da época anterior, participou na conquista do campeonato e regressou ao Rennes no final da cedência. A separação durou apenas o suficiente para confirmar uma vontade.“ A verdade é que sempre quis regressar ao FC Porto”, afirmou quando voltou a ser apresentado, agora para uma temporada completa. O clube já conhecia a sua capacidade para aparecer perto da área, competir fisicamente e decidir jogos, mas também o modo como se tinha integrado no grupo. Seko não precisou de provar que conseguia adaptar-se ao FC Porto, precisava apenas que o FC Porto encontrasse forma de o recuperar. Inbeom Hwang nunca tinha jogado no Dragão, embora a transferência também trouxesse capítulos anteriores. O médio revelou que Francesco Farioli procurara contratá-lo em três ocasiões, quando orientava Alanyaspor, Nice e Ajax, mas só à quarta tentativa os dois ficaram do mesmo lado. Neste caso, o conhecimento não resulta de trabalho partilhado, mas de uma observação prolongada. Farioli sabia o que procurava e Hwang sabia há quanto tempo era procurado. O sul-coreano chegou por 4,5 milhões de euros, com mais meio milhão dependente de objetivos, para acrescentar critério com bola, intensidade e experiência internacional ao meio-campo. Três reforços, portanto, começaram a época com uma distância menor para percorrer. Dois conheciam o clube, o outro era conhecido pelo treinador.
PRESENTE EMPRESTADO Nem todas as necessidades justificaram uma aquisição definitiva. Fofana, Souza e Santiago Giménez chegaram por empréstimo, mas os três contratos dizem coisas diferentes sobre o risco assumido. As cedências de Fofana e Souza não incluem opção de compra. O FC Porto recebe duas soluções imediatas sem suportar agora o custo de uma transferência, embora uma eventual valorização continue a pertencer ao Rennes e ao Tottenham. Giménez também chegou por empréstimo, mas o acordo permite adquirir o avançado mexicano por 18 milhões de euros, acrescidos de dois milhões em objetivos, podendo a opção tornar-se obrigatória em determinadas condições. O contrato de Giménez acompanha a incerteza do momento. O avançado traz golos marcados no Feyenoord e no Milan, mas também duas temporadas que Farioli classificou como difíceis. O próprio apresentou-se
O MAIOR NEGÓCIO DO VERÃO NÃO TEVE UMA SUBSTITUIÇÃO DIRETA. O FC PORTO REPARTIU POR VÁRIOS JOGADORES AS QUALIDADES QUE RODRIGO MORA CONCENTRAVA E OFERECEU A FARIOLI NOVAS COMBINAÇÕES.
Em janeiro, Souza trocou o Santos pelo
Tottenham e, sete meses depois, a Premier League pelo futebol português. O lateralesquerdo brasileiro, de 20 anos, disputou quatro jogos em Inglaterra antes de ser cedido ao
FC Porto até ao final da temporada. com“ muita fome e um fogo interno”, palavras que expõem a urgência pessoal sem esconder a necessidade de recuperar ritmo. Souza responde a uma zona afetada pela lesão de Zaidu e amplia as escolhas no lado esquerdo da defesa, Fofana acrescenta uma capacidade de chegada já testada na época do título e Giménez aumentou as soluções para uma posição entregue quase em exclusivo a André Silva enquanto Samu recuperava. Os três foram contratados para resolver questões presentes, mas os vínculos deixam o futuro em aberto. Esse desenho protege o investimento, mas não elimina o custo da adaptação. Fofana reencontrou um contexto conhecido e apresentouse pronto para competir, Souza e Giménez chegaram no final do mercado, sem o trabalho acumulado desde o início da preparação, e Farioli resumiu a diferença com clareza:“ Para os três reforços, a pré-temporada é agora.” O empréstimo pode encurtar um compromisso financeiro, mas não encurta o caminho até à melhor condição física, ao entendimento coletivo ou ao ritmo exigido por uma equipa que começa a jogar de três em três dias.
O LUGAR QUE MORA DEIXOU Todas as entradas acabam por tocar numa saída.
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