Dragões #478 Set 2026 | Page 41

MERCADO
SETEMBRO 2026 REVISTA DRAGÕES

Uma lista de transferências torna todos os jogadores iguais( nome, clube de origem, valor e duração do contrato), mas o mercado do FC Porto resiste a essa leitura. Kiwior já estava e passou a pertencer em definitivo ao campeão nacional. André Silva e Fofana conheciam o clube antes de regressarem. Hwang era um desejo antigo de Francesco Farioli. Santiago Giménez e Souza chegaram por empréstimo, enquanto Gabriel Mec foi contratado aos 18 anos e ficou fora da primeira lista europeia. O mesmo verbo – contratar – esconde decisões, graus de risco e horizontes muito diferentes. Para compreender o mercado portista não basta, por isso, somar quem entrou e subtrair quem saiu. É preciso perceber onde começou cada relação.

O REFORÇO QUE FICOU O primeiro sinal chegou através de um jogador que dispensava apresentação. A 5 de maio, poucos dias depois da conquista do campeonato, o FC Porto exerceu a opção de compra de Jakub Kiwior e pagou ao Arsenal 17 milhões de euros, aos quais poderão juntar-se mais cinco milhões mediante o cumprimento de objetivos. Foi o maior investimento fixo do período de transferências, mas também o de menor incerteza desportiva. O central já conhecia o treinador, os companheiros, o campeonato e as exigências da posição. Tinha participado diretamente na recuperação do título e formado com Jan Bednarek uma das bases da equipa. O FC Porto não pagou para descobrir Kiwior, pagou para não ter de o substituir. A operação antecipou a ideia que André Villas-Boas tornaria pública em junho. O presidente considerava que o clube dispunha de“ uma base” que não tinha no ano anterior, defendia a permanência dos melhores jogadores e afastava outro verão de reconstrução profunda. Não existiria“ um mercado de 100 milhões”, porque a prioridade já não passava por refazer a equipa. O investimento em Kiwior deve ser lido dentro dessa diferença. No verão anterior, contratar serviu para construir. Neste, começou por significar conservar. Entre todas as caras associadas ao mercado, a primeira escolha relevante foi garantir que uma delas não mudava.
REGRESSAR SEM REPETIR Os regressos oferecem uma história imediata e um risco igualmente evidente: deixar que a memória ocupe o espaço reservado ao presente. André Silva e Seko Fofana voltaram ao FC Porto, mas nenhum foi contratado para recuperar uma versão antiga de si próprio. André regressou com 30 anos e um percurso que passou por campeonatos, equipas e funções muito diferentes. Já não é o avançado que deixou a formação para se afirmar na equipa principal, nem o jogador que iniciou no estrangeiro um caminho ainda por definir. É uma solução amadurecida por experiências na Alemanha, em Itália e em Espanha, capaz de oferecer movimentos, trabalho sem bola e uma relação com o golo construída em contextos distintos. Na apresentação, encontrou uma formulação que ultrapassou a nostalgia: sentia-se“ no passado e no futuro ao mesmo tempo, a recordar e a sonhar”. A frase funciona porque não tenta apagar o intervalo.
Gabriel Mec deixou o Grêmio depois de somar 32 jogos, três golos e duas assistências em 2026. Aos 18 anos, o brasileiro assinou até 2031 e traz ao FC Porto um perfil que Francesco Farioli situa entre o ala interior e o médio ofensivo.
O FC PORTO CONSERVOU O QUE JÁ ESTAVA PROVADO,
RECUPEROU JOGADORES QUE CONHECIAM O CLUBE, REUNIU FARIOLI COM UM DESEJO ANTIGO E INVESTIU NUM FUTURO SEM PRESSA. NEM TODAS AS CONTRATAÇÕES COMEÇARAM DO ZERO.
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