Dragões #478 Set 2026 | Page 38

ARQUIVO ABERTO
SETEMBRO 2026 REVISTA DRAGÕES
O PRIMEIRO ADVERSÁRIO
O que o Athletic fez a seguir ajuda a perceber a verdadeira dimensão do adversário que coube ao FC Porto logo à primeira tentativa. Nos oitavos de final encontrou o Honvéd de Puskás, Kocsis, Czibor e Bozsik, espinha dorsal da Hungria que tinha vencido a Inglaterra por 6-3 em Wembley e chegou à final do Mundial de 1954. Os bascos ganharam por 3-2 em San Mamés e empataram 3-3 numa segunda mão disputada no Estádio de Heysel, em Bruxelas, porque a invasão soviética da Hungria impediu o regresso a Budapeste. Puskás marcou perto do fim o último golo da eliminatória e o último da sua autoria num jogo oficial pelo Honvéd, mas não evitou a eliminação. Foi também a despedida oficial de Kocsis e Czibor. Os três recusaram voltar a um país ocupado. O primeiro reapareceria no Real Madrid, os outros dois no Barcelona. Nos quartos de final esperava outra equipa destinada a ocupar um lugar muito particular na história do futebol: os Busby Babes. Matt Busby construíra no Manchester United um campeão inglês com uma média de idades de apenas 22 anos e levou-o à Europa contra a vontade da Football League, cuja oposição tinha impedido o Chelsea, campeão da época anterior, de participar na edição inaugural da Taça dos Campeões. Em San Mamés, debaixo de neve e sobre um relvado transformado em lama, o Athletic chegou ao intervalo a vencer por 3-0 e acabou por ganhar 5-3. Busby resumiu a tarde sem economizar elogios:“ Excelente futebol, excelente jogo e excelentes adeptos.” A segunda mão realizou-se a 6 de fevereiro de 1957 em Maine Road, o estádio do Manchester City, porque Old Trafford ainda não dispunha de iluminação artificial. Dennis Viollet e Tommy Taylor marcaram os dois primeiros golos, mas só aos 85 minutos Johnny Berry fez o 3-0 que decidiu a eliminatória, fechada num apertado 6-5. Exatamente um ano depois, a 6 de fevereiro de 1958, o avião que transportava a equipa inglesa despenhou-se em Munique. Sete dos onze titulares que tinham
Flávio Costa chegou ao FC Porto com troféus de sobra para uma carreira inteira e uma derrota suficientemente pesada para tentar escondê-los. Tinha conduzido o Vasco ao título sul-americano de clubes em 1948 e o Brasil ao título sul-americano de seleções em 1949, mas ficaria para sempre associado ao jogo decisivo do Mundial de 1950, perdido para o Uruguai no Maracanã. Duro, exigente e pouco dado a concessões – não tolerava meias em baixo, camisolas fora dos calções nem interferências dos dirigentes –, também não guardou para ele o que pensou da arbitragem em Bilbau. Após a derrota por 3-2 na segunda mão da estreia europeia do FC Porto, afirmou ao El Correo que dois golos do Athletic não deveriam ter sido validados: o primeiro por ter sido precedido por um fora de jogo enorme e o terceiro por ter resultado de um penálti cuja falta acontecera quase no meio-campo. Orientou os azuis e brancos em 1956 / 57 e regressou em 1965 / 66. Nenhuma das passagens trouxe títulos, mas a primeira colocou-o à frente da equipa que abriu a história europeia do clube. Flávio Costa ganhou muito, perdeu o jogo que um país nunca esqueceu e recusou perder o direito ao protesto em San Mamés.
O Athletic afastou o FC Porto, sobreviveu ao Honvéd de Puskás e só os Busby Babes do Manchester United o impediram de chegar às meias-finais.
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