Dragões #478 Set 2026 | Page 39

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SETEMBRO 2026 REVISTA DRAGÕES
A estreia europeia durou 180 minutos, produziu três golos e não trouxe vitórias, mas abriu uma história que passaria por Viena, pela Supertaça entre Amesterdão e as Antas, por Sevilha, Gelsenkirchen e Dublin.
eliminado o Athletic morreram no acidente ou na sequência dele. Johnny Berry sobreviveu, mas os ferimentos impediram-no de voltar a jogar. O primeiro adversário europeu do FC Porto atravessou, em poucos meses, duas das equipas mais carregadas de história do século XX: o Honvéd, que a invasão soviética desfez, e o Manchester United, que o acidente aéreo de Munique haveria de interromper. O Athletic ficaria a um golo das meiasfinais, mas já tinha levado a sua estreia europeia muito além da eliminatória disputada nas Antas e em San Mamés. A primeira campanha europeia do FC Porto durou 180 minutos, produziu três golos e terminou sem vitórias. Vista apenas pelo resultado, não anunciou nada. Não anunciou os títulos, as finais, as viagens nem as noites em
José Maria alinhou de início no primeiro jogo europeu do FC Porto e saiu dele com um lugar que ninguém poderia voltar a ocupar. A 20 de setembro de 1956, pouco depois do início da segunda parte da receção ao Athletic, bateu Carmelo e fez o 1-1 nas Antas. Os campeões espanhóis acabariam por vencer por 2-1 e confirmaram a eliminação em Bilbau, mas o resultado já não podia retirar aquele golo da história: era o primeiro dos Dragões nas competições europeias. Nascido em Vila Nova de Gaia, José Maria chegou do Candal em 1949 e, durante oito épocas, marcou 78 vezes, conquistou um campeonato e uma Taça de Portugal. A bola daquele remate integra a exposição permanente do Museu FC Porto. Viena, Sevilha, Gelsenkirchen e Dublin ainda estavam muito longe, mas o caminho até lá já tinha começado. Apesar de a estreia ter terminado com uma derrota, José Maria garantiu que não terminaria sem memória.
que o nome do clube passaria a fazer parte da história do futebol europeu. As estreias raramente têm essa obrigação. Servem para abrir a porta. Setenta anos depois, o marcador continua a dizer 1-2 e a eliminatória continua perdida, mas a data já significa outra coisa, porque na história ficou um começo. Ao minuto 54, José Maria não ganhou a partida, mas fez algo que nenhum outro jogador poderia repetir: marcou o primeiro golo europeu do FC Porto. A Europa ainda não sabia o que vinha a seguir.
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