Dragões #478 Set 2026 | Page 31

LIGA DOS CAMPEÕES
SETEMBRO 2026 REVISTA DRAGÕES
Costinha começou a correr quando o relógio já tinha chegado aos 90 minutos e Old Trafford ainda tentava perceber o que tinha acontecido. Tim Howard defendeu para a frente o livre de Benni McCarthy, o médio apareceu para fazer o 1-1 e garantiu a passagem aos quartos de final, com 3-2 no conjunto das duas mãos. Atrás dele viria José Mourinho, num sprint que também entrou na história daquela noite.
O Milan esteve duas vezes em vantagem, mas Artur e Jardel, lançado a partir do banco a tempo de bisar, transformaram o 2-1 favorável aos“ rossoneri” numa vitória por 3-2. Contra uma equipa que reunia Maldini, Baresi, Desailly, Davids, Roberto Baggio e Weah, o FC Porto não se limitou a resistir. Virou o jogo.
A estrada de 2004 O Manchester United entrou no último minuto em vantagem na eliminatória, até o FC Porto conquistar um livre à entrada da área. José Mourinho admitiria anos mais tarde que o lance decisivo começou fora do plano. Era Ricardo Fernandes quem estava designado para a cobrança, mas Benni McCarthy afastou-o e tomou conta da bola. Tim Howard defendeu o remate para a frente e Costinha chegou primeiro à recarga. O treinador correu pela linha lateral, a Europa guardou a imagem e o FC Porto avançou para os quartos de final. Já à distância, Mourinho recordaria a desobediência que esteve na origem do golo e resumiria a mudança que ele provocou: se a equipa podia eliminar o Manchester United, podia derrotar qualquer adversário. Lyon confirmou-o. O triunfo por 2-0 no Dragão oferecia uma vantagem importante, mas não retirava força a uma equipa francesa que começava a
dominar o próprio campeonato e reunia jogadores como Juninho, Essien, Coupet e Élber. Maniche marcou os dois golos dos Dragões no empate a dois e escolheu o segundo, apontado aos 47 minutos, como o mais representativo da carreira. A jogada começou longe da baliza, numa triangulação entre Alenichev, Nuno Valente e Carlos Alberto, prosseguiu num cruzamento de Deco e terminou com a chegada de Maniche à área. Não foi uma coincidência bem executada. O antigo camisola 18 explicou à Dragões que o movimento era trabalhado nos treinos e que a cumplicidade com Deco dispensava palavras.“ Esse sim, é o meu golo de eleição, o meu golo rei”, afirmou. O contexto completava a escolha. O Lyon tinha empatado o encontro, a eliminatória ainda precisava de ser fechada e o remate devolveu ao FC Porto uma margem que já não voltaria a estar verdadeiramente ameaçada.“ Não éramos candidatos, éramos outsiders, mas queríamos sonhar”, recordou Maniche. Em Old Trafford, o sonho ganhou testemunhas. Em Lyon, ganhou consistência. A Corunha acrescentou-lhe resistência. Depois de um empate sem golos no Dragão, a meia-final resolveu-se em Espanha, com uma falta sobre Deco e um penálti convertido por Derlei. Não houve prolongamento nem necessidade de dramatizar o que já era suficientemente grande: o FC Porto estava na final.
Dezanove vezes Jardel
Jardel entrou na Champions com dois golos em San Siro e despediu-se da prova pelo FC Porto também a marcar, numa noite em que Hugh Dallas entrou demasiadas vezes nas contas. Severo nos cartões mostrados aos portistas, o árbitro escocês distraiu-se no essencial: aos 56 minutos, não assinalou um empurrão evidente de Patrik Andersson a Jardel dentro da área. O brasileiro fez aos 90 o 1-1 que, naquele instante, levava a eliminatória para prolongamento. Dois minutos depois, Thomas Linke devolveu a vantagem ao Bayern e encerrou os quartos de final. Era o 19.º golo de Jardel na competição. Nenhum jogador marcou mais pelo clube.
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