ENTRE LINHAS
SETEMBRO 2026 REVISTA DRAGÕES
Gabri Veiga fez-se ouvir em Viseu: primeiro com o golo, depois com o grito.
Hwang Inbeom deixou o Benfica para trás e o primeiro golo pelo FC Porto no marcador. No dia em que completou 30 anos, o sulcoreano fechou o 3-1 e ajudou a abrir cinco pontos de vantagem sobre o rival.
campo. Agosto terminava com três golos e dois passes decisivos do espanhol, participação direta em cinco dos nove golos da equipa. Para um jogador a quem se pede que pense o jogo, era uma forma bastante prática de apresentar o raciocínio. O número 10 criava para os outros e ainda encontrava tempo para concluir por conta própria. Na segunda parte, o marcador não precisou de manutenção. O FC Porto preservou a diferença e somou outro encontro sem sofrer, prolongando um registo que os adversários continuavam a tentar interromper. Ganhar cedo também traz uma obrigação menos celebrada: continuar a trabalhar quando o resultado já parece dar licença para descansar. O zero do Académico no marcador ajudou a perceber que essa licença não tinha sido concedida. Alverca, Rio Ave e Arouca tinham sofrido dois golos. Em Viseu, houve um terceiro, mas a mudança de quantidade não alterou o destinatário dos pontos. Quatro jogos, quatro vitórias, nove golos marcados e nenhum sofrido: agosto fechava com as contas certas e sem necessidade de arredondamentos. O campeonato ainda ia no princípio, o que aconselhava prudência nas conclusões.
O HÁBITO FICA O primeiro golo sofrido acabou com uma estatística, mas não com um hábito. Dinis Pinto marcou aos 20 minutos, o Moreirense adiantou-se e o FC Porto conheceu uma situação a que agosto o tinha poupado: ter de correr atrás do resultado. A equipa de Farioli continuaria a ganhar, embora desta vez fosse necessário começar por desfazer a vantagem alheia. Bednarek tratou dessa parte aos 37 minutos. William Gomes bateu o livre e o polaco subiu para cabecear para o empate, recordando que um central também pode melhorar o resultado na outra área. O brasileiro ficou com a assistência e, já na segunda parte, completou o serviço. Froholdt encontrou Pepê, Pepê cruzou e William apareceu ao segundo poste para rematar de primeira. Aos 58 minutos, quem tinha preparado o primeiro golo concluía o segundo. A especialização tem limites.
A vantagem podia ter crescido. André Silva e Froholdt tiveram oportunidades para tornar o final mais confortável, mas o terceiro golo foi ficando por marcar. O Moreirense percebeu que ainda lhe permitiam discutir o resultado e Dinis Pinto, aos 85 minutos, esteve perto de repetir o estrago. Diogo Costa defendeu. Quando a equipa não consegue arrumar um resultado numa baliza, convém ter quem evite a desarrumação na outra.
Santiago Giménez estreou-se e ainda obrigou André Ferreira a trabalhar nos descontos. O mexicano começou a apresentar-se, o capitão voltou a justificar por que dispensa apresentações e William saiu com um golo e uma assistência. A quinta vitória tinha exigido mais recursos do que as quatro anteriores, o caminho foi mais complicado, mas os três pontos valiam exatamente o mesmo. A parte mais difícil da noite não se mediu no marcador. A pancada de Guilherme Liberato na cabeça de Froholdt, a queda e a saída de maca do dinamarquês deixaram o Dragão em sobressalto. O vermelho surgiu após intervenção do VAR. Ficou resolvida a decisão disciplinar, mas a preocupação com o jogador continuou. Numa noite em que o FC Porto recuperou de uma desvantagem, o apito final já não bastava para tranquilizar ninguém. Faltava saber de Victor.
11