ARQUIVO ABERTO
AGOSTO 2026 REVISTA DRAGÕES
VIENA AINDA NÃO TINHA ACABADO
Menos de três meses depois de vencer a Taça dos Campeões Europeus, o FC Porto entrou no Camp Nou como convidado e saiu como vencedor. Primeiro derrotou o Barcelona, depois voltou a bater o Bayern. Em agosto de 1987, Viena ainda cabia em duas noites de verão.
TEXTO de ALBERTO BARBOSA
Menos de três meses depois de Viena, os campeões europeus erguiam outra taça. Mlynarczyk, Augusto Inácio, Fernando Gomes, José Semedo e António Sousa, em cima, e João Pinto, Rui Barros e António André, em baixo, celebram no Camp Nou o único Joan Gamper conquistado por um clube português.
Naquele tempo, o Joan Gamper era um torneio por extenso: quatro equipas, meias-finais, jogo de atribuição do terceiro lugar e final. Para o Barcelona, servia também de apresentação da equipa aos adeptos. Nessa edição, porém, a escolha dos convidados transformou a prova numa pequena cimeira europeia. Ao lado do anfitrião estavam o FC Porto e o Bayern, finalistas em Viena, e o Ajax orientado por Johan Cruyff, com Rijkaard, Blind e um Dennis Bergkamp de 18 anos. Schuster, Lineker e Hughes davam corpo ao Barcelona de Terry Venables; Matthäus, Brehme, Augenthaler e Pfaff chegavam com os alemães. A imprensa catalã apresentou aquela como a melhor edição de sempre do torneio. O campeão europeu, contudo, já não era exatamente a equipa que deixara Viena com o troféu. Artur Jorge tinha partido para o Matra Racing, Tomislav Ivić acabara de assumir o comando, Paulo Futre fora transferido para o Atlético de Madrid e Juary estava lesionado. A pré-época tinha começado há pouco, mas já tinha levado o plantel a Amesterdão e Foggia. Ivić lembraria no Camp Nou que teve cerca de 15 dias de preparação e cinco jogos para conhecer os novos jogadores e reorganizar os que ficaram.
O BARCELONA SAIU DA PRÓPRIA FESTA
No dia do primeiro jogo, o Mundo Deportivo ofereceu aos leitores um grande póster a cores de Fernando Gomes. O capitão, ausente da final de Viena por lesão, era um dos rostos escolhidos para apresentar o campeão europeu aos catalães, mas à noite, diante de 62 mil espectadores, o protagonismo mudou de mãos.
Madjer não precisou do calcanhar que levou Viena a todo o mundo. Aos 12 minutos, bastou-lhe a cabeça para aproveitar um cruzamento de João Pinto e bater Zubizarreta. Schuster respondeu aos 28’, com um livre direto que colocou a bola no ângulo da baliza de Mlynarczyk, e devolveu o Barcelona ao jogo. Ivić mexeu ao intervalo. Inácio substituiu Eduardo Luís e Jorge Plácido entrou para o lugar de Fernando Gomes. Quatro minutos depois, Madjer conduziu o contra-ataque e entregou a bola ao avançado, que desfez o empate com um remate fortíssimo. O FC Porto voltou a adiantar-se e não permitiu que o anfitrião recuperasse. Depois de quatro triunfos consecutivos no Gamper, o Barcelona falhava a final apenas pela quinta vez em 22 edições. A equipa catalã somou 11 cantos contra dois dos portistas, mas saiu do relvado
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