Dragões #475 Jun 2026 | Page 22

FUTEBOL
JUNHO 2026 REVISTA DRAGÕES
O corredor das decisões Alberto Costa entrou no onze do ano pelo que defendeu, mas também pelo que acrescentou para lá da linha média. Defesa com mais assistências na liga, fez do corredor direito uma estrada de dois sentidos: fechou atrás, acelerou à frente e transformou muitos ataques do FC Porto em cruzamentos, ruturas e decisões certas no último terço. Na primeira época de azul e branco, juntou um golo a nove assistências e mostrou que a melhor defesa do campeonato também sabia construir vantagem a partir dos laterais. Além de parte da estrutura que protegeu Diogo Costa, Alberto foi uma das formas mais constantes de o FC Porto chegar à área adversária.
O rosto da muralha Eleito por cinco vezes defesa do mês, Jan Bednarek não chegou ao onze do ano por impulso de fim de época, mas por insistência estatística, competitiva e emocional. O central polaco foi uma das vozes mais constantes da melhor defesa do campeonato, repetindo prémios como quem repete cortes, duelos, coberturas e jogos sem sofrer golos. Francesco Farioli já tinha avisado quando Bednarek somava quatro distinções:“ Quando vemos o Jan a ser eleito o melhor defesa do mês de forma consecutiva parece que o mérito é todo dele, mas a realidade é que temos vários jogadores a ajudar-nos a manter a baliza a zeros e a ganhar.” Bednarek deu ordem, altura e autoridade a uma defesa que transformou cada mês num capítulo da mesma muralha. No fim, como o próprio central resumiu, tratava-se de lutar“ uns pelos outros e todos pelo emblema”. Bednarek foi o rosto mais premiado dessa forma de competir. base, o dinamarquês deu combustão. Pressionou, conduziu, ligou setores, chegou à frente, mordeu duelos e empurrou a equipa para zonas de decisão. A presença dele no Onze do Ano já seria suficiente para assinalar uma primeira temporada de enorme impacto, a eleição como Jogador do Ano e Jovem do Ano elevou a história a outro patamar. Froholdt foi tratado, ao mesmo tempo, como presente absoluto e futuro em aceleração. Também por isso, a sua evolução ajuda a perceber a época do FC Porto. Quando chegou, prometeu“ dar o máximo para melhorar e ajudar a equipa” e lembrou que no FC Porto ganhar é uma responsabilidade inscrita no emblema. Meses depois, a promessa deixou de ser frase de apresentação e passou a ser balanço competitivo. Froholdt não se limitou a adaptar-se, apropriouse da exigência, entrou no ritmo da equipa e tornou-se uma das figuras maiores de um campeão que encontrou nele pernas, nervo e horizonte. O prémio de Francesco Farioli fecha o círculo. Nenhuma equipa coloca cinco jogadores no melhor onze da liga, tem o jogador do ano, o jovem do ano e a melhor defesa do campeonato sem uma ideia que organize tudo isso. O treinador italiano chegou, afinou comportamentos, protegeu o grupo da dispersão e construiu uma equipa com ar de obra pensada. O FC Porto não foi apenas intenso, foi coerente. Não foi apenas competitivo, foi repetível. E esse talvez seja o maior elogio que se pode fazer a uma equipa campeã: ganhou porque encontrou uma forma de voltar a ser ela própria, jogo após jogo.
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