FUTEBOL
JUNHO 2026 REVISTA DRAGÕES
Central sem alarme Jakub Kiwior entrou no onze do ano pela força tranquila de uma época feita de leitura, equilíbrio, consistência e pela solidez discreta de quem raramente joga para a fotografia, mas aparece quase sempre no sítio certo. Ao lado de Bednarek, deu pé esquerdo, leitura, calma na saída e agressividade no duelo a uma defesa que fez da antecipação uma forma de autoridade. Na chegada, deixou uma pista:“ No campo vamos entender-nos porque no futebol todos falam o mesmo idioma.” Foi isso que a época confirmou. Kiwior defendeu para a frente, corrigiu por dentro, fechou por fora e ajudou o FC Porto a transformar muitos ataques adversários em jogadas interrompidas antes de se tornarem perigo. O onze do ano apenas tornou visível aquilo que a época repetiu: com Kiwior, muitos problemas acabaram antes de começar.
Dupla coroa A consagração de Victor Froholdt pela Liga Portugal não surgiu isolada, nem caiu do céu como um relâmpago estatístico. Em dezembro, ainda antes de a época portuguesa entrar na fase decisiva, o médio já tinha sido duplamente distinguido na Dinamarca: primeiro como Talento do Ano, depois como Futebolista do Ano, prémio em que superou, entre outros, o sportinguista Morten Hjulmand. Os prémios de Jogador do Ano e Jovem do Ano da liga portuguesa apenas deram escala nacional a uma evidência que vinha ganhando forma jogo após jogo. No FC Porto campeão, Froholdt deixou de ser promessa importada para se afirmar como certeza competitiva, acrescentando energia, leitura, maturidade e uma capacidade rara de fazer a equipa pensar depressa. Foi sempre futebol de gente grande.
A questão agora já não pertence apenas ao que ficou para trás. Um mês depois, estes prémios deixaram de viver no álbum da época passada e passaram para a porta de entrada da próxima. Ser campeão muda o ponto de partida. O FC Porto não começará 2026 / 27 do zero, mas também não começará sentado sobre o que conquistou. Começará com uma base reconhecida, um treinador premiado, uma estrutura defensiva validada, um médio eleito como melhor jogador da liga e a certeza de que todos os adversários olharão para o campeão com outra urgência. Farioli resumiu esse desafio numa frase de limpidez perfeita:“ Para vencer duas vezes, é preciso vencer a primeira e depois fazer tudo de novo.” A primeira parte está feita. A segunda começa quando os aplausos já baixaram de volume e a rotina volta a pedir provas. Os prémios dizem que o FC Porto dominou a liga em 2025 / 26 e a nova época perguntará se essa superioridade pode transformar-se em permanência. É por isso que este balanço não é apenas uma celebração tardia, é uma leitura do caminho e uma provocação ao futuro. Diogo Costa, Kiwior, Bednarek, Alberto Costa, Froholdt e Farioli não representam só as distinções individuais de uma equipa campeã, mas também uma ideia reconhecida por quem jogou, treinou e votou na Liga Portugal. Representam um domínio que a tabela anunciou e os prémios escreveram por extenso, e deixam, antes do recomeço, a pergunta que todos os campeões verdadeiros têm de enfrentar: depois de provar que foi a melhor, como se prepara uma equipa para continuar a sê-lo?
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