FUTEBOL
JUNHO 2026 REVISTA DRAGÕES
A classificação já tinha dito o essencial. O FC Porto foi a melhor equipa da liga porque somou mais, resistiu melhor, sofreu menos e transformou regularidade em autoridade. As distinções individuais chegaram depois como legenda de uma obra coletiva, sem a pretensão de explicar o título, mas com a confirmação implícita. E fizeram-no com uma clareza difícil de contrariar, com quatro elementos ligados à estrutura defensiva, um médio total no coração do jogo e o treinador que deu método, forma e convicção à caminhada. O dado dos 18 golos sofridos em 34 jornadas não é apenas uma estatística defensiva, é uma declaração de identidade competitiva. O FC Porto campeão raramente se deixou ferir porque defendeu antes de ser obrigado a defender. Pressionou longe da própria área, encurtou espaços, fechou linhas, reagiu à perda e fez da organização uma espécie de língua comum. Diogo Costa foi o último homem dessa estrutura, mas nunca esteve sozinho nela. À sua frente, Kiwior, Bednarek e Alberto ajudaram a desenhar uma equipa difícil de empurrar para trás, agressiva sem perder lucidez, intensa sem se partir, preparada para viver muito tempo longe da própria baliza. A presença quase completa dessa muralha no Onze do Ano mostra que o domínio portista não nasceu apenas do talento ofensivo ou dos momentos de inspiração, nasceu da capacidade de controlar o jogo por dentro, por fora e por trás. Diogo Costa deu liderança, serenidade e autoridade. Kiwior e Bednarek ofereceram leitura, duelo e sentido posicional. Alberto Costa acrescentou energia, profundidade e uma competitividade que tornou o corredor direito num território de ida e volta permanente. Juntos, ajudaram a fazer da baliza portista a zona mais protegida do campeonato. No meio, Victor Froholdt foi a outra face do mesmo domínio. Se a defesa deu
Luvas de comando Diogo Costa entrou no onze do ano como se fechasse uma época com as luvas ainda quentes. Eleito guarda-redes do mês em dezembro e abril, capitão do FC Porto, dono da baliza menos batida da liga e das redes de Portugal no Mundial, foi mais do que o último obstáculo. Foi o primeiro ponto de equilíbrio de uma equipa que aprendeu a ganhar também pelo silêncio dos jogos sem sofrer. Diogo já o tinha dito com a simplicidade dos que conhecem o ofício:“ Não sofrendo golos, estamos sempre mais perto de ganhar”. A frase resume-lhe a época. Entre defesas, liderança e uma serenidade que se espalhou pela linha defensiva, não guardou apenas a baliza, mas uma ideia de equipa.
No meio, Victor Froholdt foi a outra face do mesmo domínio. Se a defesa deu base, o dinamarquês deu combustão. Pressionou, conduziu, ligou setores, chegou à frente, mordeu duelos e empurrou a equipa para zonas de decisão.
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