Dragões #475 Jun 2026 | Página 15

CLUBE
JUNHO 2026 REVISTA DRAGÕES medido também pelo que ganha. A relação com os grupos organizados de adeptos é descrita como estreita, direta, cordial e frontal. Houve uma revisão profunda do protocolo e, sobretudo, uma transformação digital que pôs fim a desvios relacionados com bilhética.“ O FC Porto perdia cerca de dois milhões de euros por ano”, disse Villas-Boas, referindo-se a problemáticas associadas a um grupo organizado e a algumas Casas. Resolvido esse capítulo, a relação passou a assentar noutra base. O presidente reconhece que houve retaliação comunicativa em 2024 / 25, num ano duro de transição, mas sublinha que o clube, apesar das fragilidades encontradas, não falhou um único salário em 2025 / 26, nem a atletas das modalidades nem a funcionários. O passado recente também passa por Sérgio Conceição, porque André Villas-Boas o reconhece como um dos treinadores mais vitoriosos da história do FC Porto e alguém intimamente ligado ao clube. Gostaria de recebê-lo no centro do relvado, com o estádio cheio a aplaudir, tal como fez com José Mourinho e Vítor Pereira, mas sabe que a ferida aberta pela escolha de Vítor Bruno em 2024 / 25 dificilmente permitirá esse momento enquanto estiver na presidência. Ainda assim, deixa a porta aberta a esse momento.“ Esse é o reconhecimento que ele merece.” No capítulo dos ativos, Diogo Costa ocupa um lugar especial. O capitão é descrito como“ o futuro” do clube e Villas-Boas não esconde o desejo de vê-lo continuar com braçadeira no braço e o número 2 nas costas. Mas também não promete o que o mercado pode desmentir. A permanência depende de uma decisão tripartida: proposta, cláusula e acordo do atleta com outro clube. Ainda assim, a intenção política e emocional é inequívoca e passa por manter o guardaredes e prolongar essa“ magia mítica”. O mesmo princípio vale para Rodrigo Mora e para os melhores jogadores do plantel. O objetivo é manter a base e mexer o mínimo possível, sem desligar das responsabilidades financeiras, porque o FC Porto precisa de dinheiro para pagar salários, cumprir compromissos e cobrir o investimento de cerca de 100 milhões de euros feito no mercado anterior. É a equação permanente do clube português ambicioso: ganhar, vender quando tem de vender, comprar antes que seja tarde, proteger a identidade e não perder a alma no caminho. A entrevista termina onde começou. No futuro. Mas não num futuro abstrato, feito de promessas soltas. Villas-Boas fala de betão, lugares anuais, fluxos de caixa, câmaras de VAR, scouting, formação, pavilhões, naming, dívida, mercado, sócios e títulos. Fala de um FC Porto que quer continuar a ser dos associados e, ao mesmo tempo, encontrar novas formas de competir num futebol cada vez mais desigual. Fala de honrar Pinto da Costa sem governar a partir da saudade. Fala de Farioli, da base campeã, de Diogo Costa, do CAR, do Dragão renovado e da próxima época. Depois de reconquistar o campeonato, o FC Porto entra em 2026 / 27 com uma certeza e várias perguntas. A certeza é a ambição de voltar a ganhar. As perguntas pertencem ao mercado, à sustentabilidade, às obras, ao crescimento e à capacidade de transformar o primeiro grande título do mandato numa tendência. André Villas-Boas sabe que o futuro não se anuncia apenas. Constrói-se.
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