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JUNHO 2026 REVISTA DRAGÕES
“ ENQUANTO O MEU PROJETO PARA O FC PORTO FOR UNÂNIME, AQUI
ESTAREI EU PARA LIDERÁ-LO.”
Boas garante que o clube avançará“ com tudo” na defesa do seu bom nome. A centralização dos direitos televisivos é um dos poucos pontos em que os grandes encontraram espaço de entendimento estratégico. O presidente está satisfeito com o que foi aprovado em assembleia geral da Liga Portugal, mas lembra que falta testar o valor do produto junto dos operadores e atingir números que considera possíveis para o futebol português, entre 200 e 250 milhões de euros. Para isso, defende criatividade na venda do produto e uma proteção da chave de repartição que reconheça o peso dos três grandes como motor do futebol nacional. Mas avisa que a centralização, sozinha, não chega. É preciso melhorar infraestruturas, fiscalidade, licenciamento, fair-play financeiro e tecnologia. É nesse ponto que a arbitragem entra em campo. Villas-Boas defende uma uniformização urgente da tecnologia VAR em todos os estádios, com a mesma qualidade e o mesmo número de câmaras. Depois, sim, a introdução de ferramentas como a linha de golo e o fora de jogo semiautomático. O presidente fala em“ tecnologia ao serviço da verdade desportiva” e critica situações como as vividas pelo FC Porto B, em que um fora de jogo evidente não pôde ser considerado por causa da exposição solar e do posicionamento da câmara.“ É patético e algo que temos de combater imediatamente”, afirmou. A crítica estende-se à qualidade da arbitragem e à dificuldade em uniformizar critérios. Villas-Boas fala de uma época negativa, marcada por confusão pública, liderança bicéfala no Conselho de Arbitragem e deterioração de critérios em lances semelhantes. O problema, defende, é transversal ao futebol português e europeu, mas há também uma dimensão mediática que não ignora: certos grupos de comunicação social vivem das más decisões, porque a controvérsia gera programas, atenção e receita. O caos, no futebol moderno, também se transformou em produto.
CHEGAR PRIMEIRO AO TALENTO Se o presente da equipa principal foi reconstruído, a formação aparece como uma das grandes apostas do futuro. As mudanças, diz Villas-Boas,“ foram muitas e profundas”, mas precisam de tempo. A chegada de José Tavares trouxe estabilidade e um projeto formativo que o presidente gostaria de ver prolongado por uma década. O pleno de títulos em seniores, juniores, juvenis e iniciados é motivo de orgulho, mas não é apresentado como fim em si mesmo.“ Não é necessário ganhar títulos na formação para ter uma boa formação”, afirmou, acrescentando que o verdadeiro“ bingo do pleno” será ver esses miúdos chegar à equipa principal. O crescimento dos clubes da Premier League, com redes de scouting e análise de dados cada vez mais poderosas, obriga o FC Porto a antecipar movimentos, proteger ativos e convencer famílias de que há futuro na escola portista. Por isso, apostas como a de Eirik Granaas, jovem de 16 anos que chegou do Fredrikstad, da Noruega, numa operação de cerca de 1,8 milhões de euros, fazem parte de uma estratégia de antecipação.“ Um diamante por lapidar”, chamou-lhe Villas-Boas. A lógica é simples. Se o FC Porto esperar que determinados talentos cheguem aos 20 milhões, já chegou tarde. O scouting portista terá de voltar a encontrar antes dos outros o que no passado encontrou em nomes como James Rodríguez, Falcao ou Hulk, em paralelo com a capacidade de formar Ricardo Carvalho, Vitinha, Rúben Neves ou Diogo Costa. No mercado de talento atual, antecipar é sobreviver num ecossistema que também mudou na relação com empresários. Villas-Boas descreve um futebol em que jogadores transitam entre agências, fundos compram empresas de representação e interesses económicos podem redesenhar destinos desportivos. O FC Porto trabalha com todos, mas procura perceber sempre quem representa o atleta e em que moldes se estabelece a cooperação.
O MANDATO DA UNIÃO Olhando para 2028, o presidente não fecha a porta à continuidade, mas condiciona-a à união.“ O FC Porto é mais forte quando está unido”, afirmou. Villas-Boas defende que, pela história do clube, o presidente deve ser eleito de forma unânime, com uma comunhão em torno do objetivo central: o sucesso do FC Porto.“ Enquanto o meu projeto para o FC Porto, seja ele qual for, for unânime, aqui estarei eu para liderá-lo. A partir do momento em que perceber que deixou de ser unânime, nem sequer me recandidato.” A ambição imediata é clara: conquistar o título de campeão nacional em 2026 / 27 e fazer dele a base de um futuro melhor. Villas-Boas fala de uma mudança radical desde 2024, na sustentabilidade económica, na relação com a massa associativa, na comunicação com“ o verdadeiro dono do FC Porto” e numa visão projetada no tempo. Ser sócio e ter lugar anual custa dinheiro e os sócios têm de ser recompensados com acessibilidades, serviços, comunicação, benefícios e títulos. A palavra final
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