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JUNHO 2026 REVISTA DRAGÕES
“ O QUE NÃO PODE ACONTECER SÃO DELÍRIOS QUE IMPEÇAM A SUSTENTABILIDADE FINANCEIRA.”
FC Porto, seja em que moldes for, será o princípio do fim do FC Porto enquanto clube de associados”, afirmou. Para o presidente, ser clube de associados não é um peso antigo, mas uma vantagem competitiva num tempo de culturas desfeitas e identidades diluídas. A defesa do associativismo não elimina a necessidade de diversificar fontes de financiamento. Pelo contrário. Dragon Notes( a emissão obrigacionista de 115 milhões de euros associada às receitas do Estádio do Dragão), direitos audiovisuais, Liga dos Campeões e trabalho de mercado fazem parte do modelo de sustentabilidade. O naming do Estádio do Dragão está também em cima da mesa, embora com cautelas. O clube está no mercado, tal como a Legends, mas Villas-Boas reconhece a sensibilidade do tema. O nome Dragão, sublinha, é unânime e teria de ser mantido. O desafio está em encontrar uma solução que aumente receita sem transformar os associados em simples clientes ao serviço de interesses comerciais externos. As modalidades também entram neste desenho de futuro, mas com a prudência de quem conhece o preço de cada passo. O futsal foi lançado na terceira divisão e é visto como a próxima etapa, embora o presidente peça tolerância aos sócios, porque o nível dos rivais é elevado e o caminho até ao topo terá de ser gradual e formativo. Do programa eleitoral de 2024 faltam cumprir duas promessas: a criação da Fundação FC Porto, que trará consigo o regresso ao atletismo amador, e o potencial regresso do voleibol masculino, uma das modalidades mais vencedoras da história do clube. O crescimento de equipas femininas é uma ambição, mas depende de uma nova casa. Enquanto o pavilhão na antiga Escola Ramalho Ortigão não for construído, as modalidades e a formação continuarão“ com a casa às costas”. A casa do futebol profissional terá outro nome: Centro de Alto Rendimento. O processo é longo, difícil e caro. O FC Porto comprou o terreno com capital próprio e pagou também a movimentação de terras, que terá ainda meses pela frente devido à inclinação do terreno. O custo de construção deverá situar-se entre os 40 e os 50 milhões de euros, agravado pelo aumento dos custos de construção. A conclusão dificilmente acontecerá até ao final deste mandato, admite o presidente. Antes disso, há uma decisão essencial a tomar, que passa por encontrar o modelo de financiamento mais sustentável para erguer o centro.
CONTRA O RUÍDO E O CAOS No plano institucional, a entrevista deixa contrastes claros. Com o Benfica, Villas- Boas fala de uma relação de“ grande elevação e respeito”, apesar da rivalidade histórica. Reconhece o Benfica como o rival máximo e como o clube com mais campeonatos nacionais, que o FC Porto quer ultrapassar o mais rapidamente possível, mas com o Sporting o tom muda. O presidente acusa a liderança leonina de entrar num“ patamar de injúria, de calúnia e de vitimização” que torna impossível uma relação normal. O caso do pavilhão e do alegado cheiro a amoníaco é descrito como o ponto em que o Sporting ultrapassou os limites do razoável. O FC Porto entregou documentação ao Ministério Público e, caso o processo seja arquivado, Villas-
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