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JUNHO 2026 REVISTA DRAGÕES de 100 milhões de euros, claro está, porque estas bases permitem-nos olhar para o mercado de uma forma diferente e também muito mais ponderada.” Essa ideia de ponderação é decisiva. O FC Porto quer ser competitivo, mas sabe que os clubes portugueses vivem num território estreito entre ambição e tesouraria. Villas-Boas admite que é necessário criar fluxos de caixa para responder a salários, pagamentos a clubes e compromissos assumidos anteriormente. Ao mesmo tempo, diz não haver nesta fase nada de concreto pelos jogadores do FC Porto, o que permite proteger melhor a base campeã. A proteção, contudo, terá sempre a sombra do mercado, sobretudo num verão condicionado pelo Mundial e por uma janela que, segundo o presidente, tende a aquecer mais tarde.“ O mercado de junho e julho é o mais caro”, recordou. É a fase em que os clubes protegem os seus ativos, pedem mais e esperam. Agosto, especialmente as semanas finais, costuma trazer necessidades mais prementes, decisões de treinadores, ajustes de pré-época e urgências de caixa. É um calendário que nem sempre coincide com o desejo dos treinadores, que preferem iniciar o trabalho com o plantel fechado, mas o FC Porto conhece bem esse jogo. Jakub Kiwior, lembrou Villas-Boas, chegou no último dia do mercado e acabou por ser peça central da época. Na frente de ataque, a conversa ganha contornos particulares. A lesão de Samu, a maior transferência de sempre feita por um clube português, e a de Luuk de Jong, descrito como uma transferênciasurpresa de uma referência europeia, condicionaram a época e obrigaram à chegada antecipada de Moffi. Para 2026 / 27, o cenário exige atenção. Samu é esperado em plenas condições físicas e desportivas em novembro, mas até lá o calendário nacional e europeu deixará o FC Porto com André Silva e Deniz Gül como opções mais imediatas. Pelo caminho, o presidente travou o sonho Lewandowski com uma dose de realismo. A contratação do avançado polaco – observou – foi“ fabricada pelos sonhos dos adeptos”, mas sempre esteve fora de equação.“ É sempre bom sonhar com essas grandes chegadas. O que não pode acontecer são delírios que impeçam a sustentabilidade financeira do FC Porto.” Se o mercado exige frieza, o banco trouxe convicção. Francesco Farioli surge na entrevista como uma das figuras centrais da reconstrução, não apenas pelo modelo de jogo, mas pela forma como se relacionou com a estrutura. Villas-Boas descreve-o como“ um grande e forte gestor de homens e de recursos humanos”, capaz de envolver Tiago Madureira, Henrique Monteiro, scouting, performance, área médica e nutrição. No relvado, essa gestão traduziu-se num FC Porto“ atrativo e pressionante, que defende e honra os pergaminhos do clube”. Fora dele, consolidou uma ideia que ganhou vida própria:“ La Famiglia Portista”. Foi um conceito criado e abraçado pelo treinador, mas que o presidente reconhece como profundamente portista, pela capacidade de perceber a realidade do clube e de se adaptar a ela.
A HERENÇA COMO ALICERCE A ligação entre passado e futuro passa inevitavelmente por Jorge Nuno Pinto da Costa. Villas-Boas recusa qualquer distanciamento da memória do“ Presidente dos Presidentes” e assume a responsabilidade de honrar o legado de quem marcou a sua vida como adepto, treinador e dirigente.“ Não tenho feito outra coisa que não honrar o passado de Jorge Nuno Pinto da Costa, essa é uma obrigação e uma responsabilidade
enorme que tenho de ter”, afirmou. O memorial, lançado um ano após o falecimento, teve uma afluência histórica e confirmou, nas palavras do atual presidente, o“ cordão umbilical dos portistas” com a figura de Pinto da Costa. As memórias pessoais recuam a 2010 / 11, a época em que Villas-Boas foi treinador principal do FC Porto e em que a relação com Pinto da Costa se tornou perfeita, mas há uma recordação anterior e íntima: o jovem“ Robsonzinho”, estatístico de Bobby Robson, tratado assim com carinho pelo presidente. A mais marcante terá sido a primeira chamada que lhe confirmou a intenção de o fazer treinador do FC Porto.“ É o sentido da honra da palavra”, explicou. Nessa memória está um vínculo emocional que o presidente de hoje procura transformar em responsabilidade institucional. Essa responsabilidade estende-se ao associativismo. Num futebol europeu cada vez mais povoado por proprietários, fundos, multipropriedades e estruturas globalizadas, Villas-Boas traça uma linha vermelha. A entrada de capital estrangeiro e a presença de um acionista maioritário estão fora de questão, garante. E mesmo a ideia de um minoritário é vista como ameaça.“ Se um dia abrirmos a porta a investimento estrangeiro no
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