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JUNHO 2026 REVISTA DRAGÕES
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FC Porto chegou ao final da temporada com um título no bolso, mas André Villas-Boas fala sem confundir chegada com destino. A época que devolveu o campeonato ao Dragão foi, nas palavras do presidente, o resultado de“ uma revolução necessária”, de“ uma injeção clara de talento” e de um investimento sem paralelo na história recente do clube. Mas o que ficou para trás é apenas uma parte da conversa. A outra, talvez a mais exigente, está no que vem a seguir, manter uma base vencedora, continuar a crescer sem pôr em causa a sustentabilidade, melhorar a experiência dos sócios, preparar o futuro do futebol profissional e da formação, reforçar a identidade associativa e resistir às novas formas de poder que atravessam o futebol europeu. A entrevista concedida ao Jornal de Notícias, a O Jogo e à TSF surgiu como um mapa de navegação para o segundo ano completo de mandato. O presidente quis“ partilhar as ideias do futuro do FC Porto” e encontrou um clube já diferente daquele que recebeu
“ NÃO QUEREMOS QUE O FC PORTO DEIXE MAIS O LUGAR QUE É SEU.”
em 2024, mas ainda em processo de transformação. O Dragão encheu como poucas vezes antes, a massa associativa cresceu, as receitas ligadas ao estádio bateram máximos, a equipa foi campeã nacional e a formação alcançou um pleno raro, com títulos nos juniores, juvenis e iniciados. Ainda assim, Villas-Boas não vende facilidades, insiste na ideia de que a recuperação desportiva não resolve, por si só, as responsabilidades financeiras herdadas e não dispensa prudência na gestão. O Estádio do Dragão é um dos símbolos mais visíveis desse novo ciclo. Com uma ocupação média de 91 % em 2025 / 26, o recinto voltou a assumir-se como casa cheia de pertença e receita. O número orgulha o presidente, que o descreve como“ um registo absolutamente histórico”, ao lado do crescimento dos lugares anuais, do número de sócios, do ticketing e das receitas. Mas aumentar a lotação não está, para já, nos planos. Primeiro, pela complexidade arquitetónica. Depois, porque uma época de 91 % não equivale ainda a uma procura permanente de lotação máxima. Antes de pensar em mais lugares, o FC Porto quer melhorar a forma como recebe quem já lá está.“ Aumentar a lotação do Estádio do Dragão, em primeiro lugar, pode não ser viável; em segundo lugar, acho que ainda não se justifica; e, em terceiro lugar, acho que primeiro é preciso melhorar os serviços que o Estádio do Dragão presta a quem vive esta casa”, explicou. Essa melhoria está em marcha através de uma renovação em várias fases, iniciada na época passada, agora centrada em hospitalidade, restauração e serviços, e com conclusão prevista para o próximo ano na área das acessibilidades. O objetivo é simples na formulação e profundo no impacto: entradas e saídas mais rápidas, mais escolhas de restauração, melhor experiência, mais conforto. O Dragão, no fundo, a ser tratado não apenas como palco, mas como casa.
O MERCADO DEPOIS DA REVOLUÇÃO A mesma palavra atravessa toda a entrevista: casa. Casa dos sócios, casa das modalidades, casa da formação, casa do futebol profissional. No caso da equipa principal, a casa teve de ser praticamente reconstruída. A realidade económica de 2024 / 25 obrigou o FC Porto a realizar vendas importantes e, ao mesmo tempo, a refazer o plantel para 2025 / 26. Daí nasceu um mercado que André Villas- Boas classifica como“ histórico, sem paralelo na história do FC Porto”, mas que considera indispensável para quem queria atacar o título. A conquista veio validar a opção, mas não apaga a dimensão do risco nem a necessidade de agora atuar de forma diferente.“ É importante ter consciência de que a realidade económica do FC Porto não está totalmente resolvida”, avisou. A dívida foi prolongada a longo prazo, mas as responsabilidades continuam a existir. A diferença, agora, está na base de partida.“ Queremos manter os melhores talentos na equipa principal e reforçá-la em pontos estratégicos identificados pelo treinador. Não irá ser um mercado
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