Dragões #474 Mai 2026 | Página 58

ESPECIAL CAMPEÕES
MAIO 2026 REVISTA DRAGÕES

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SANTA CLARA 0-1 FC PORTO 4 DE JANEIRO DE 2026 ESTÁDIO DE SÃO MIGUEL
0-1, SAMU AGHEHOWA( 50’)
O FC Porto fechou a primeira volta com um número que parece ficção escrita a régua e esquadro: 49 pontos em 51 possíveis, recorde absoluto, e uma liderança que já não era apenas confortável, era pedagógica. Mais sete pontos do que o Sporting, mais dez do que o Benfica. Nos Açores, a história foi curta e eficaz, como quem assina por baixo com um golo de Samu, que continuava a empilhar argumentos e a transformar vitórias difíceis numa especialidade. Francesco Farioli, porém, tratava o recorde como um resultado ao intervalo, bonito, mas incompleto. A“ maratona” ainda vai a meio, insistiu, e por isso a palavra de ordem era“ atitude”, com um detalhe deliciosamente desconfortável: entrar como se a equipa estivesse em desvantagem, mesmo quando a tabela parecia um postal de boas festas. No mesmo tom de quem não deixa o balneário adormecer, o treinador vestia a equipa com verbos que não dão para pendurar na vitrine:“ trabalhar, sofrer e transpirar”. E quando os números tentavam pedir champanhe, ele respondia com água fria. Não há festa para estatísticas, há apenas a obrigação de repetir a fome, de manter o desejo coletivo ligado à tomada. Samu disse-o com a simplicidade de quem decide jogos. O mais importante é a equipa vencer, e se ajudar com golo ou com trabalho, melhor. Pepê, por sua vez, deixou uma frase que parecia receita de sobrevivência para a segunda volta:“ acreditar em todas as bolas” e“ confiar desconfiando”. Confiança, sim, mas com o cinto apertado e o retrovisor sempre limpo, porque no FC Porto o recorde não é sofá, é ponto de partida.

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VITÓRIA SC 0-1 FC PORTO 18 DE JANEIRO DE 2026 ESTÁDIO D. AFONSO HENRIQUES
0-1, ALAN VARELA( 85’)( P)
O resultado foi mínimo, mas a autoridade foi máxima. O FC Porto não teve pressa de parecer bonito, teve pressa de ser dono do jogo, encurtando o campo, escolhendo os momentos, refreando o entusiasmo alheio e deixando o Vitória a correr atrás de uma bola que quase sempre tinha dono, mesmo quando não tinha brilho. O Vitória entrou com energia“ fora de série”, o FC Porto respondeu com cabeça fria e um plano que não se desmancha ao primeiro vento, com Diogo Costa a segurar quando foi preciso e a equipa a esperar pelo instante certo. E ele chegou. Depois de Samu acertar na trave num pontapé de penálti, foi o miúdo Pietuszewski, em estreia absoluta, a ganhar a grande penalidade que Alan Varela transformou aos 85 minutos, para uma vitória que não caiu do céu, saiu do controlo. Farioli explicou o que se viu sem precisar de floreados:“ Não somos super-heróis, somos uma equipa de trabalhadores.” E Varela resumiu o capítulo mais áspero da noite com uma frase que serve de legenda ao jogo inteiro:“ Quando não dá para jogar, temos de lutar.” Não foi um triunfo para coleção de highlights, foi um triunfo de equipa madura, daquelas que sabem sofrer sem perder o norte e sabem ganhar sem pedir desculpa. Lá para baixo, a conversa tentou transformar gestão em medo, paciência em falta de ambição e um jogo controlado num“ susto” por conveniência editorial. Mas em Guimarães ficou escrito o que interessa. Golo de Alan Varela, depois de duas bolas nos ferros( primeiro por Samu e, mais tarde, por Borja Sainz) folha limpa e três pontos merecidos, desses que não fazem barulho, mas fazem distância.
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