ESPECIAL CAMPEÕES
MAIO 2026 REVISTA DRAGÕES
06
RIO AVE 0-3 FC PORTO 19 DE SETEMBRO DE 2025 ESTÁDIO DO RIO AVE
0-1, PABLO ROSARIO( 4’) 0-2, SAMU AGHEHOWA( 14’) 0-3, GABRI VEIGA( 52’)
Depois do assalto a Alvalade e do triunfo claro, mas curto, sobre o Nacional, o FC Porto passou por Vila do Conde como quem cumpre um ritual. Três pontos, baliza fechada e a ideia de jogo a carburar. A vitória sobre o Rio Ave( 3-0), com golos de Pablo Rosario, Samu e Gabri Veiga, deixou os Dragões isolados no topo da tabela à sexta jornada, com 15 golos marcados e apenas um sofrido, registo que espelhava a força competitiva do coletivo, mas não apagava as exigências de Francesco Farioli. O treinador italiano, realista no diagnóstico, preferiu sublinhar que“ nem tudo muda em dois meses”:“ Não éramos tão maus antes nem somos tão bons agora”. O resultado, limpo e robusto, foi acompanhado de um aviso:“ Era importante ganhar e manter a baliza a zeros, mas também aprender que no futebol as coisas mudam muito rápido com certas ações ou cartões. Temos de crescer mentalmente para não darmos nada ao adversário”. Em campo, Gabri Veiga foi bússola e motor: duas assistências, um golo e um recado maduro“ num campo difícil”. Saiu“ feliz” por dedicar a vitória“ ao guerreiro Nehuén Pérez”, com a certeza de que ainda havia“ muita margem para melhorar”.“ Pés bem assentes na terra” e cabeça no essencial, jogo a jogo, sem atalhos. Pelo meio, um lembrete que poderia servir de código de entrada no balneário:“ É importante que todos os reforços percebam que estamos num grande clube e que vamos ter de fazer sempre mais do que os outros para ganhar.” O líder isolado seguia viagem com a prudência de quem sabia que a classificação em setembro não dá troféus em maio. Mas dá sinais: equipa compacta, fome competitiva e um treinador que não se deixa encantar pelo espelho. O resto é continuar a somar com a mesma atitude, por Nehuén e por todos os que empurram desde as bancadas.
07
AROUCA 0-4 FC PORTO 29 DE SETEMBRO DE 2025 ESTÁDIO MUNICIPAL DE AROUCA
0-1, SAMU AGHEHOWA( 12’) 0-2, DENIZ GÜL( 51’) 0-3, FRANCISCO MOURA( 61’) 0-4, ZAIDU( 85’)
Segunda-feira por causa da feira. Em Arouca, no primeiro de três jogos em apenas sete dias, o FC Porto impôs-se num teste de maturidade e resiliência. A expulsão de Martim Fernandes parecia um plot-twist, mas acabou por servir de combustível, com três dos quatro golos a serem marcados em inferioridade numérica, num sinal claro de organização, pulso competitivo e uma crença que não mete folga. Francesco Farioli resumiu a noite com uma frase que diz muito sobre a pele competitiva desta equipa:“ Provámos o desejo e o fogo de que somos feitos”. E foi isso mesmo que se viu. Por trás da serenidade exterior, havia um FC Porto que vivia com o jogo sempre à distância de uma aceleração, pronto para apertar quando o cenário pedia pulso e resposta. Em Arouca, a equipa voltou a mostrar que não precisava de conforto para se impor.
Bastava-lhe reconhecer o momento e atacá-lo com a convicção certa. Na bancada, 2.500 portistas receberam em troca mais do que uma vitória larga, receberam a confirmação de um padrão. Quando o jogo pede carácter, o FC Porto não se limita a resistir, organiza-se, cresce e responde com golos. Houve noites, noutros tempos, em que jogar com menos um significava proteger danos e negociar o resultado possível. Esta acabou por dizer o contrário. Mesmo amputado numericamente, o líder conseguiu manter a lucidez, ferir no momento certo e deixar no adversário a sensação pouco simpática de que a expulsão serviu para tudo menos para equilibrar o jogo. Victor Froholdt, cada vez mais confortável no centro de muitas coisas importantes, deixou a frase que melhor traduzia o estado de espírito:“ Temos sete vitórias seguidas no campeonato e não vamos parar por aqui”. Francisco Moura, transformado no 11.º marcador diferente da equipa na temporada, puxou o foco para dentro e abriu a porta daquilo que tantas vezes explica o que se vê por fora:“ A equipa está conectada e queremos muito ajudar-nos uns aos outros”. Numa fase da época em que o desgaste apertava e o calendário não pedia licença, essa ligação valia quase tanto como a inspiração. E talvez tenha sido precisamente isso que Arouca confirmou. O FC Porto não ganhou apenas mais um jogo, ganhou-o num contexto pouco simpático, com menos descanso, com menos um jogador e com a exigência adicional de quem sabia estar a entrar numa semana apertada. Fê-lo sem perder compostura, sem abdicar da ambição e sem deixar que o contratempo lhe alterasse a identidade. Às vezes, uma vitória vale três pontos. Outras vezes, vale também como retrato.
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