Dragões #474 Mai 2026 | Page 48

ESPECIAL CAMPEÕES
MAIO 2026 REVISTA DRAGÕES
Samu de aço nos 11 metros: bola lá dentro, corrida e abraços.

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FC PORTO 1-0 NACIONAL 13 DE SETEMBRO DE 2025 ESTÁDIO DO DRAGÃO
1-0, SAMU AGHEHOWA( 31’)( P)
Três semanas depois, com a poeira da pausa para as seleções já assente, o Dragão abriu as portas para um 1-0 de catálogo frente ao Nacional. Samu Aghehowa agarrou a bola, respirou fundo e bateu o penálti como quem paga uma conta antiga: sem tremeliques. Troféu MVP para casa, três pontos na mala e liderança isolada na tabela. Os números eram daqueles que dão muito jeito numa página de revista – cinco jogos, cinco vitórias, doze golos marcados, apenas um sofrido e quatro folhas limpas. Nada de pirotecnia, só uma regularidade que costuma estragar noites aos adversários. No auditório José Maria Pedroto, Farioli afinou o discurso: cada jogo é crucial, não se podem desperdiçar pontos e o caminho faz-se passo a passo. Deixou, porém, um aviso que não precisava de tradutor no balneário moderno— jogam demasiado, descansam de menos— e uma notícia amarga: lesão grave de Nehuén Pérez, outra vez infeliz, que fez uma rotura total do tendão de Aquiles. A resposta coletiva esteve ao nível da exigência: Kiwior agradeceu a estreia e percebeu logo a dimensão da camisola, enquanto Eustáquio deu uma lição de balneário ao admitir que baixou as expectativas pessoais para subir as coletivas. Entre o golo de Luuk de Jong em Alvalade e a frieza do Samu no Dragão, o retrato era este: ideia clara, ego no sítio e pontos contados. O treinador, jovem no cartão de cidadão e veterano na cabeça, preferia método a milagres e trabalho a soundbites. A equipa agradecia e acompanhava: quem entra, entra para somar; quem marca, corre para defender.
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