ESPECIAL CAMPEÕES
MAIO 2026 REVISTA DRAGÕES
Silêncio em Alvalade. William Gomes voa depois de um golo para emoldurar.
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SPORTING 1-2 FC PORTO 30 DE AGOSTO DE 2025 ESTÁDIO DE ALVALADE
0-1, LUUK DE JONG( 61’) 0-2, WILLIAM GOMES( 64’) 1-2, NEHUÉN PÉREZ( 74’)( AG)
Lisboa recebeu o FC Porto com aquele aparato habitual de quem confunde ambiente com destino. O Sporting levava 24 jogos sem perder em casa para o campeonato e a estatística já circulava com a pompa das verdades irrevogáveis, pronta a ser servida à mesa como argumento final. O problema é que os jogos continuam a ter o péssimo hábito de não respeitar o guião quando aparece uma equipa capaz de o rasgar. Resultado: 2-1 para o FC Porto em Alvalade, com a deliciosa particularidade de ter sido o líder a fabricar todos os golos da noite. Luuk de Jong estreou-se a marcar de azul e branco, William Gomes tratou do segundo como se estivesse a assinar uma peça de coleção e o Sporting só entrou na contabilidade graças a uma infelicidade de Nehuén Pérez. Mais do que a vitória, impressionou a maneira como ela foi construída. O FC Porto soube ter bola sem adormecer com ela, soube sofrer sem se desorganizar e soube acelerar no instante exato, esse detalhe que separa as equipas boas das equipas realmente perigosas. Houve maturidade, houve controlo e houve sobretudo uma serenidade competitiva que costuma deixar os adversários num estado pouco confortável, naquele momento em que percebem que o favoritismo anunciado durante a semana serviu apenas para adornar a sala. Dentro de campo, mandava outra coisa, mandava a autoridade. Francesco Farioli recusou o excesso de espuma. Dedicou a vitória a Jorge Costa, falou de um“ jogo maduro e sólido”, elogiou o“ espírito incrível” do grupo e escolheu a formulação certa para quem percebe que campeonatos não se ganham em noites de euforia, mas em sucessivas provas de carácter. Foi um passo importante, apenas mais um passo. Dito de outra forma, o FC Porto fez em Alvalade o que as equipas sérias fazem quando ganham em casa alheia: levam os pontos, agradecem a hospitalidade e deixam os fogos de artifício para quem vive mais de ruído do que de consistência. Também as notas de rodapé merecem leitura atenta, porque às vezes é nelas que se percebe a densidade de uma equipa. Pablo Rosario estreou-se de azul e branco num palco pouco dado a ternuras, Gabri Veiga ficou de fora devido a uma lombalgia e, ainda assim, nada pareceu sair do lugar. Não houve dramatização, não houve desculpas preventivas, não houve aquela coreografia tão portuguesa de preparar álibis antes de o jogo começar. Houve apenas um conjunto com ar de ofício, capaz de se adaptar ao que a noite pedia sem perder compostura nem ambição. E talvez seja isso que mais incomoda quando o FC Porto ganha assim: a naturalidade. Não precisou de teatro emprestado, nem de um milagre tático, nem de uma noite impossível do adversário. Precisou apenas de ser melhor. Em Lisboa, o favoritismo apareceu muito bem vestido, muito falado e muito bem embalado. O problema é que, quando a bola começou a rolar, ficou pendurado no placard como um adereço sem função. O jogo escolheu outro dono.
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