ESPECIAL CAMPEÕES
MAIO 2026 REVISTA DRAGÕES
02
GIL VICENTE 0-2 FC PORTO 18 DE AGOSTO DE 2025 ESTÁDIO CIDADE DE BARCELOS
0-1, VICTOR FROHOLDT( 20’) 0-2, PEPÊ( 47’)
Depois da carga emocional da estreia, Barcelos apareceu como um teste de outra natureza, menos marcado pelo sentimento e mais exigente na forma como obrigava a equipa a provar que o arranque não tinha sido apenas resposta de circunstância a uma noite especial. O FC Porto venceu o Gil Vicente por 2-0, com golos de Victor Froholdt e Pepê, e deu sequência ao que começava a desenhar-se, revelando-se uma equipa capaz de juntar autoridade, critério e uma relação cada vez mais estável com o jogo. Não foi uma exibição de exuberância permanente, mas teve aquilo que muitas vezes distingue as equipas maduras: controlo, seriedade e a noção exata do que era preciso fazer para sair dali com os três pontos. Francesco Farioli chamou-lhe um“ jogo sólido, com bons momentos e oportunidades criadas”, mas não deixou
03
FC
PORTO 4-0 CASA PIA 24 DE AGOSTO DE 2025 ESTÁDIO DO DRAGÃO
que o elogio apagasse a exigência. Pelo contrário, fez questão de deixar uma nota que ajuda a perceber o padrão que queria ver instalado desde cedo. Era preciso“ aumentar a consistência”. A frase não soou a reparo, mas a aviso útil, quase a lembrar que, naquela fase da época, crescer também significa não se deixar embalar pelos resultados. Daí a importância dada ao facto de a equipa não ter sofrido golos.“ Não sofrer golos é absolutamente importante”, vincou o treinador, sublinhando uma ideia que vai muito além da estatística e entra diretamente no campo da identidade competitiva. A noite trouxe ainda um marco pessoal para Victor Froholdt, que se estreou a marcar de azul e branco e ajudou a dar à vitória um rosto novo. O médio lembrou que o FC Porto já não ganhava em Barcelos há dois anos, o que emprestou ao
1-0, BORJA SAINZ( 20’) 2-0, WILLIAM GOMES( 25’) 3-0, ALBERTO COSTA( 40’) 4-0, BORJA SAINZ( 67’) resultado um peso adicional, e assumiu o orgulho pela exibição e pelos três pontos. Pepê, por sua vez, voltou a aparecer na zona decisiva e reforçou uma ideia que começa quase sempre por dentro antes de se ver por fora: a força de um grupo mede-se também pela forma como cada um aceita o seu papel.“ Quem jogar ou entrar vai fazer sempre o que é pedido pelo mister”, disse o brasileiro, resumindo numa frase simples a disponibilidade coletiva que tantas vezes sustenta as equipas que querem ir longe. Barcelos serviu para confirmar que o FC Porto não queria apenas começar bem o campeonato, queria começar a construir uma base. E essa base, por aqueles dias, fazia-se de vitórias, de baliza a zero, de gente diferente a aparecer no momento certo e de uma exigência interna que recusava confundir competência com conforto.
De volta ao Dragão, e já perante uma casa cheia que parecia querer empurrar a época para a frente à força de entusiasmo, o FC Porto confirmou que o arranque perfeito não vivia apenas de resultados curtos ou de gestão prudente. Frente ao Casa Pia, os azuis e brancos soltaram-se num 4-0 claro, seguro e por momentos até exuberante, com Borja Sainz a bisar e William Gomes e Nehuén Pérez a completarem uma noite em que quase tudo saiu limpo. À terceira jornada, a equipa de Francesco Farioli somava três vitórias, nove golos marcados e a baliza inviolada, um arranque que não resolvia nada por si só, mas ajudava a desenhar desde cedo uma ideia de equipa agressiva, organizada e suficientemente séria para não se perder no brilho do próprio impulso. Farioli mostrou-se“ feliz com a abordagem fantástica” e com a forma como os jogadores“ leram bem o jogo”, duas observações que ajudam a perceber que o treinador não olhava apenas para a vantagem no marcador, mas para a maneira como ela foi construída. Houve, ainda assim, espaço para uma ironia certeira ao celebrar o facto de a equipa ter“ terminado o jogo com onze”, frase curta, mas carregada daquelas entrelinhas que no futebol português raramente precisa de grande tradução. Mais tarde, em conferência de imprensa, o técnico voltou a afinar o retrato daquilo que pretendia: equipas“ agressivas”, capazes de se adaptar“ a todos os cenários”, e uma inquietação cada vez menos disfarçada com“ o ritmo a que os cartões são mostrados” aos portistas. Não era uma queixa solta, era mais um apontamento sobre o contexto em que a equipa ia tendo de afirmar-se. Dentro de campo, Borja Sainz foi o rosto mais visível da noite. Estreou-se a marcar pelo FC Porto e fê-lo logo em dose dupla, mas preferiu desviar o foco para a estrutura que o rodeia, valorizando o trabalho dos companheiros e o papel de todo o staff, como quem sublinha que um arranque assim não nasce de lampejos isolados, mas de uma engrenagem coletiva a funcionar com fluidez. Também Alberto, autor de duas assistências, puxou o discurso para dentro do grupo e dedicou o triunfo“ aos lesionados, aos que não entraram e aos que estiveram em campo”, deixando depois uma nota para as bancadas:“ Casa cheia outra vez, isso dá-nos uma força enorme”. Era uma frase simples, mas ajustada a uma noite em que o Dragão voltou a funcionar como prolongamento emocional da equipa. Houve ainda lugar para um marco pessoal de Diogo Costa, que atingiu os 200 jogos pelo clube.
46