ESPECIAL CAMPEÕES
MAIO 2026 REVISTA DRAGÕES
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FC PORTO 3-0 VITÓRIA SC 11 DE AGOSTO DE 2025 ESTÁDIO DO DRAGÃO
1-0, PEPÊ( 12’) 2-0, SAMU AGHEHOWA( 32’) 3-0, SAMU AGHEHOWA( 80’)
A estreia no campeonato ficou inevitavelmente presa à memória de Jorge Costa. No primeiro jogo depois da morte do capitão que durante anos personificou como poucos a fibra competitiva do FC Porto, a equipa entrou em campo com mais do que uma missão tática. Havia um resultado para conquistar, claro, mas havia também uma ausência para atravessar e uma figura para honrar. O 3-0 frente ao Vitória, construído com um golo de Pepê e um bis de Samu, valeu a liderança à primeira jornada, mas teve um significado que ultrapassou largamente a matemática da tabela. Foi uma vitória com dor, com nervo e com um sentido de pertença que se propagou muito para lá do relvado. Francesco Farioli resumiu a atuação em três ideias simples, mas suficientemente reveladoras:“ compromisso, desejo e atenção aos pequenos detalhes”. E foi isso que o FC Porto mostrou numa noite em que a emoção podia facilmente ter toldado a lucidez. Houve intensidade, houve agressividade nos duelos e houve, acima de tudo, uma equipa concentrada em dar às circunstâncias a resposta mais digna possível. O treinador fez questão de sublinhar também o papel das bancadas, reconhecendo que foi mais fácil exigir essa entrega com“ o apoio dos adeptos, que foram maravilhosos”. Numa noite assim, o estádio não serviu apenas de cenário, funcionando como extensão da própria equipa, empurrando-a para a frente e ajudando-a a transformar o luto em energia competitiva. Esse lado mais íntimo da noite apareceu de forma particularmente clara em Diogo Costa. Visivelmente emocionado, por vezes em lágrimas, o guarda-redes assumiu sem rodeios que o grande objetivo era“ deixar o Jorge Costa orgulhoso”. A frase, dita naquele contexto, vale quase como retrato da equipa inteira. Também Samu, autor de dois golos e eleito o melhor em campo, falou de“ uma semana muito difícil” e da vontade de“ dedicar a vitória” ao lendário número 2, numa mistura de alívio, respeito e responsabilidade. Alberto reforçou a mesma linha, evocando a“ mentalidade de campeão” e a obrigação de“ honrar o grande Jorge Costa”, como quem lembrava que certos nomes continuam a exigir muito, mesmo quando já não estão fisicamente presentes. No fundo, o FC Porto começou o campeonato da forma mais dura e mais simbólica possível. Fê-lo com a ferida ainda aberta, mas também com a noção muito clara de quem representava naquela noite. A liderança foi uma consequência visível. Mais fundo do que isso ficou a imagem de uma equipa que, perante a perda de uma das suas figuras maiores, escolheu responder como Jorge Costa provavelmente gostaria: com caráter, competitividade e uma vitória sem hesitação.
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