Dragões #474 Mai 2026 | Seite 23

ESPECIAL CAMPEÕES
MAIO 2026 REVISTA DRAGÕES
O arranque que fez história
O FC Porto de Francesco Farioli não chegou aos 91 pontos que em 2021 / 22 fizeram da equipa de Sérgio Conceição a mais pontuada da história da liga portuguesa, mas a caminhada até ao título teve outro recorde a abrir caminho: os Dragões fecharam a primeira volta com 49 pontos em 51 possíveis, resultado de 16 vitórias e um empate, a melhor marca pontual de sempre ao fim de 17 jornadas em campeonatos com 18 equipas. A diferença ajuda a explicar a dimensão da época. Farioli não bateu nem igualou o máximo final da liga, mas construiu o melhor arranque longo que o campeonato português conheceu no modelo atual. Superou os 48 pontos do Benfica de 2019 / 20 e os 47 do FC Porto de 2021 / 22, precisamente a equipa que acabaria por estabelecer o recorde absoluto de 91 pontos. A história, aqui, escreve-se em duas colunas: uma pertence à meta; a outra à meia-volta. E a meia-volta de 2025 / 26 tem a assinatura do treinador italiano. Com apenas dois pontos perdidos até meio da prova, num empate sem golos frente ao Benfica, o campeão nacional começou a erguer o título antes de o calendário entrar na segunda metade. Não foi apenas uma liderança confortável, foi uma declaração de ritmo, porque, semana após semana, o FC Porto transformou regularidade em distância, autoridade em pontuação e a primeira volta num prólogo quase perfeito da reconquista.
O estádio também jogou
A época do 31.º título de campeão nacional também se escreveu nas bancadas. Em 2025 / 26, o Estádio do Dragão registou a melhor média de sempre em jogos do campeonato, com 45.612 espectadores nas 17 partidas disputadas em casa, um crescimento de 12,3 % face à época anterior. Só por duas vezes a assistência ficou abaixo dos 40 mil, enquanto 12 jogos ultrapassaram a barreira dos 45 mil e a receção ao Santa Clara levou mais de 50 mil portistas ao estádio, algo que não sucedia desde 2018. O fenómeno não ficou preso ao calendário mais favorável. Esta foi a época com melhor média ao sábado e ao domingo em jogos da Liga Portugal, e a segunda melhor de sempre à segunda-feira, mesmo tendo sido a campanha com mais partidas nesse dia. No conjunto das competições, os 28 jogos oficiais no Dragão tiveram uma média de 41.672 espectadores, novo máximo numa época completa. Até a Liga Europa entrou na onda: 39.845 por jogo, outro recorde. O campeão jogou, ganhou e levou com ele um estádio inteiro.
O Dragão registou a melhor média de sempre em jogos do campeonato.
A baliza do século
Diogo Costa fechou o campeonato com 21 jogos sem sofrer golos, igualando a melhor marca individual do século XXI na liga portuguesa, estabelecida em 2022 / 23 por Odysseas Vlachodimos, então guarda-redes do Benfica. O número, que diz muito mais do que uma estatística, é o retrato de uma época construída sobre autoridade, concentração e uma ideia coletiva de proteção da baliza. Houve defesas decisivas, saídas corajosas, liderança silenciosa e uma serenidade que contagiou a equipa. Num título feito de golos, vitórias e noites de festa, Diogo Costa guardou também uma parte essencial da história: 21 noites de baliza intacta, 21 capítulos de uma autoridade que ajudou o FC Porto a chegar ao fim com o troféu nas mãos e a porta fechada atrás de si.
Dois arquitetos do último passe
Se Diogo Costa fechou a porta, Alberto Costa e Gabri Veiga ajudaram a abrir caminhos. Na Liga Portugal, foram os jogadores do FC Porto com mais passes para golo, ambos com nove assistências, sinal de uma equipa capaz de encontrar soluções por fora e por dentro. O dado ganha ainda mais peso no caso de Alberto: sendo defesa, terminou entre os melhores assistentes do campeonato, prova de uma influência que não se limitou a proteger o corredor direito. Deu largura, profundidade e critério, transformando muitas subidas em ocasiões claras. Gabri acrescentou visão, pausa e último passe, esse gesto raro que descobre espaço onde parecia haver apenas trânsito. Numa época de título, os golos contam a parte mais visível da história; as assistências mostram quem ajudou a escrevê-la antes do aplauso.
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