ESPECIAL CAMPEÕES
MAIO 2026 REVISTA DRAGÕES
A MURALHA MAIS ALTA DA EUROPA
Antes de ser festa, o título foi método. O FC Porto de Francesco Farioli ergueu uma equipa difícil de atravessar, sofreu apenas 18 golos em 34 jornadas e terminou o campeonato com a melhor marca defensiva entre as principais defesas das dez melhores ligas europeias.
Antes dos golos marcados, das vitórias e da festa, houve uma base silenciosa a sustentar o título: a forma como o FC Porto defendeu, reagiu, encurtou espaços e transformou a baliza numa zona de acesso reservado. Em 34 jornadas da Liga Portugal, o FC Porto sofreu apenas 18 golos, o registo mais baixo entre as melhores defesas dos campeonatos europeus Top-10. E aqui a estatística não é um ornamento, é o retrato de quem não venceu apenas porque marcou, mas porque quase nunca concedeu. A equipa de Francesco Farioli fez da consistência defensiva uma linguagem de poder. Não se tratou apenas de juntar centrais, laterais, médio defensivo e guarda-redes numa linha de resistência, mas de envolver a equipa inteira nesse mecanismo. A pressão começava muitas vezes longe de Diogo Costa, a recuperação de posição era coletiva e a gestão dos momentos do jogo raramente permitiu que o adversário encontrasse campo aberto. O FC Porto defendeu com pernas, cabeça e organização. Esse dado ganha outra dimensão quando colocado ao lado das principais ligas europeias. Entre Inglaterra, Itália, Espanha, Alemanha, França, Países Baixos, Bélgica, Turquia e Chéquia, nenhum campeão, candidato ou melhor defesa nacional conseguiu descer até ao patamar portista. E a comparação nem precisa de gritar, porque 18 golos sofridos bastam para explicar a diferença entre uma boa época defensiva e uma época de referência. No ano em que recuperou o título de campeão, o FC Porto acrescentou ao festejo uma marca de autoridade continental, porque o Dragão não foi apenas o estádio de uma equipa campeã, foi também o território onde a Europa encontrou a defesa menos permissiva entre os seus campeonatos mais fortes. A tabela confirma o que a época foi dizendo jornada após jornada: para chegar à baliza azul e branca, não bastava jogar. Era preciso decifrar um cofre.
|
Campeonato |
Equipa |
Jogos |
Golos sofridos |
Média |
1 |
Portugal |
FC Porto |
34 |
18 |
0,53 |
2 |
Bélgica |
Union Saint-Gilloise |
40 |
27 |
0,68 |
3 |
Inglaterra |
Arsenal |
38 |
27 |
0,71 |
4 |
Itália |
Como |
38 |
29 |
0,76 |
5 |
França |
PSG |
34 |
29 |
0,85 |
6 |
Chéquia |
Slavia Praga |
35 |
30 |
0,86 |
7 |
Turquia |
Galatasaray |
34 |
30 |
0,88 |
8 |
Espanha |
Real Madrid |
38 |
35 |
0,92 |
9 |
Alemanha |
Borussia Dortmund |
34 |
34 |
1 |
10 |
Países Baixos |
FC Twente |
34 |
40 |
1,18 |
22