Dragões #474 Mai 2026 | Page 16

ESPECIAL CAMPEÕES
MAIO 2026 REVISTA DRAGÕES

O MÉTODO E O IMPACTO

Francesco Farioli e Victor Froholdt receberam no relvado do Dragão as distinções que reconheceram duas das marcas fortes da época portista: a liderança serena de um treinador campeão à primeira e a afirmação fulgurante de um médio que chegou, cresceu e passou a jogar como se conhecesse a casa há anos.
TEXTOS de ALBERTO BARBOSA

Antes de a festa sair do Dragão e atravessar a cidade, o relvado ainda teve tempo para entregar mais dois retratos da época. Francesco Farioli recebeu o prémio de Melhor Treinador da Liga Portugal e Victor Froholdt, também na primeira temporada em Portugal, foi distinguido como Melhor Jogador e Melhor Jovem do campeonato. Não foram adereços de cerimónia, nem notas de rodapé numa noite de consagração, foram a confirmação individual de uma obra coletiva: o treinador que desenhou o caminho do 31.º título de campeão nacional e o médio que lhe deu pernas e clarividência. Farioli chegou ao futebol português com 37 anos, ideias claras e a serenidade desconcertante de quem parece guardar sempre mais uma resposta no bolso. Na época de estreia, guiou os Dragões ao segundo melhor registo pontual da história do clube na liga, com 88 pontos, depois de uma primeira volta histórica e de uma liderança que começou na primeira jornada e só terminou quando já não havia mais campeonato para jogar. A distinção de Melhor Treinador, alcançada com 52 % das preferências dos técnicos do principal escalão, premiou a consistência, mas também o método com que construiu uma equipa intensa, solidária, capaz de se adaptar aos contextos e de fazer do banco uma extensão real do onze. Esse detalhe diz muito sobre o treinador. Ao longo das 34 jornadas, Farioli fez

168 substituições e os jogadores por ele lançados somaram 13 golos e 10 assistências, com mais de 4300 minutos em campo. Ou seja, o FC Porto não foi apenas uma equipa com titulares fortes, foi um grupo inteiro mobilizado para o mesmo destino. O italiano fez da rotação um instrumento competitivo e da exigência diária uma espécie de idioma comum. Por isso, quando recebeu o prémio, não se distinguia apenas a ideia, mas também a forma como essa ideia chegou aos jogadores, ao relvado e, finalmente, ao troféu. Victor Froholdt foi talvez a imagem mais viva dessa transformação. Aterrou em Portugal há menos de um ano e terminou
O número 8 deu ao fc porto uma energia rara, chegava à pressão como quem dava ao momento o seu primeiro brilho, aparecia na área como quem já conhecia o caminho e tinha aquela qualidade preciosa dos grandes médios, a de fazer o jogo parecer mais organizado só por estar dentro dele.
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