Dragões #473 Abr 2026 | Page 32

41 ANOS DE REVISTA
ABRIL 2026 REVISTA DRAGÕES
neve, o Peñarol, o prolongamento, Madjer outra vez, o mundo inteiro reduzido a um relvado gelado e a um troféu conquistado em condições inacreditáveis. Depois, o Ajax e a Supertaça Europeia. Em poucos meses, o FC Porto deixou de visitar a história para passar a morar nela. E a revista, que começou por acompanhar um clube em ascensão, via-se já a documentar um clube campeão da Europa, campeão do mundo, senhor de um prestígio novo e de uma ambição irreversível. As décadas foram mudando o cenário, mas não o apetite. Pelas páginas da Dragões foram passando outros intérpretes de luxo, outras equipas de respiração larga, outros momentos em que o talento parecia maior do que o enquadramento. Jardel, por exemplo, não jogava apenas para marcar, jogava para impor a banalidade do impossível. Os golos sucediam-se com tal abundância que quase ameaçavam perder o efeito-surpresa. Havia, no entanto, sempre qualquer coisa de assombroso na forma como aparecia onde a bola ia cair. O reinado do
Tóquio, 13 de dezembro de 1987. No dia em que o futebol quase se confundiu com sobrevivência, o FC Porto venceu o Peñarol e conquistou, pela primeira vez, um título mundial, façanha que repetiria 17 anos mais tarde, em Yokohama.
brasileiro foi o de um ponta de lança que transformava a área em propriedade privada e fazia do excesso uma forma de assinatura. Depois surgiu Deco, e com ele entrou em cena uma outra ideia de grandeza. Menos estrondo, mais clarividência, menos avalanche, mais composição. Jogava como quem acendia a luz um segundo antes dos outros, via corredores onde os restantes viam apenas trânsito, escolhia o gesto certo com a serenidade dos verdadeiramente
Em Sevilha, Derlei não apareceu apenas na fotografia, apareceu no resultado. Dois golos do avançado brasileiro ajudaram a escrever a vitória sobre o Celtic na final da Taça UEFA, a 21 de maio de 2003.
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Fevereiro de 2012. Entre a ficção do superherói e a realidade do relvado, a Dragões encontrou o ponto certo: Hulk no auge, com a força de sempre e a personalidade de quem nunca passou despercebido.