Dragões #472 Mar 2026 | Page 46

FUTEBOL
FEVEREIRO DEZEMBRO 2026 2025 REVISTA DRAGÕES

“ O FC PORTO ESTÁ ACIMA DE TODAS AS COISAS”

Há histórias que nascem dentro das quatro linhas, mas a de Ema Gonçalves começou a ser escrita na bancada Norte do Estádio do Dragão. Cresceu a amar o FC Porto como quem herda um destino que já lhe havia sido traçado e foi no setor 27 que deu cor a essa ligação quase umbilical ao clube. Ser portista nunca foi um detalhe – sempre fez parte da sua identidade – e é a base da personalidade de Ema, dentro e fora das quatro linhas. É com esse ADN que a número 2 do futebol feminino corre atrás de um sonho prestes a ganhar vida dentro de campo.
ENTREVISTA de MARIA LEONOR COELHO

Quem é a Ema Gonçalves? Costumo dizer que já nasci portista. Ainda estava na barriga da minha mãe e já torcia pelo FC Porto. Sou sócia há 16 anos, desde 2010, nessa altura o meu pai perguntou-me se queria ser sócia do FC Porto e eu disse que sim, sem saber ao certo o que isso era. Achava que vinha apanhar bolas para o Dragão e, quando percebi que não, fiquei triste, porque queria estar mais perto da ação. Depois compreendi a responsabilidade de ser sócia e, passados 16 anos, mantenho-me fiel. Eu e a minha irmã fomos as primeiras da família a ser sócias e depois juntou-se toda a gente.

Sempre teve Lugar Anual na bancada Norte? A primeira vez que vim ao Dragão fiquei na bancada central. Lembro- me perfeitamente desse jogo, foi contra a Naval e ganhámos 3-0, marcaram o Tomás Costa, o Falcao e o Varela. Nunca hei de esquecer. Depois mudei-me para este lugar e nunca mais quis sair daqui, até porque tenho muito boas recordações. Assisti ao golo do Kelvin, ao minuto 92, sentada nesta cadeira. Acho que esse foi o momento mais icónico que vivi nas bancadas. Ainda me lembro de festejar agarrada ao meu irmão, que minutos antes estava de mãos na cabeça, completamente desesperado. Tinhalhe dito que ainda ia dar certo, parecia que estava a sentir que alguma coisa ia acontecer. Foi uma felicidade extrema, até temos um vídeo desse momento.
Foi nesta cadeira que nasceu a paixão pelo futebol? Na verdade, sempre estive habituada a andar com a bola nos pés. O meu pai é
“ PODER JOGAR NA LATERAL DIREITA DO FC PORTO E USAR UM NÚMERO MÍTICO COMO O 2 É UMA RESPONSABILIDADE MUITO GRANDE,
MAS UM ORGULHO AINDA MAIOR.”
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