FUTEBOL
DEZEMBRO MARÇO 2026 2025 REVISTA DRAGÕES
treinador de futebol e incentivava-me a jogar. Jogávamos à bola todos juntos lá em casa, com os meus irmãos também, claro que uns tinham mais jeito do que outros, mas sempre tivemos a mesma paixão.
Qual dos irmãos tem mais talento? O meu irmão chegou a jogar, mas percebeu que não tinha muito jeito e decidiu ser treinador. A minha irmã também jogou quando era mais nova, mas depois descobriu a paixão pelo karaté.
Partilhava a posição com algum familiar? O meu irmão também era defesa, mas o meu pai era médio ofensivo. Para dizer a verdade, quando comecei a jogar, também não era lateral. Pode soar estranho, mas jogava a extrema e marcava muitos golos. Mais tarde, quando fui chamada às seleções jovens, passaram-me para lateral inesperadamente. A partir daí comecei a ganhar gosto pela posição e nunca mais troquei. Gosto mais de ser lateral, porque sou uma jogadora raçuda e participar na defesa dá-me mais pica.
O FC Porto é uma grande escola de laterais direitos. Qual é a melhor forma de honrar este legado? Poder jogar na lateral direita do FC Porto e usar um número mítico como o 2 é uma responsabilidade muito grande, mas um orgulho ainda maior. Acho que a melhor forma de honrar esse legado é continuar a colocar o FC Porto acima de todos os nossos interesses pessoais e querer sempre o melhor para o clube. O FC Porto tem de estar acima de tudo e de todos e é essa mentalidade que me esforço para preservar.
Usar a braçadeira também traz uma responsabilidade acrescida? Nunca sonhei com isto, porque nunca imaginei que fosse possível. Foi uma surpresa boa, pela importância que a braçadeira tem para mim e pela felicidade que me traz. É uma responsabilidade muito grande, sem dúvida, mas, acima de tudo, é um motivo de orgulho.
Como é que uma portista se sente ao receber um convite do clube do coração? É um misto de emoções, porque apesar de ter a oportunidade de jogar na primeira equipa feminina do FC Porto, estava habituada a competir na Primeira Divisão e acabei por receber outras propostas de clubes da Liga BPI. Não posso dizer que foi uma decisão difícil, porque até foi bastante fácil aceitar um convite do clube do meu coração, mas tive de abdicar de muita coisa. Agora que sei como as coisas correram, ainda bem que tomei esta decisão, mas devo confessar que foi muito mais emocional do que racional. Se tivesse recebido uma proposta de outro clube qualquer da Terceira Divisão, nunca teria aceitado, mas aceitei a do FC Porto, porque conheço as ambições do clube e sei que o nosso objetivo é chegar à Primeira. Estamos quase lá.
Nunca temeu estar a dar um passo atrás? Não, porque sei que o objetivo do FC Porto é chegar à Liga BPI. Não há outra hipótese. Não podíamos começar por cima, por isso tivemos de começar na Terceira Divisão e não me arrependo de ter arriscado.
A estreia no Dragão teve um sabor ainda mais especial para uma sócia com Lugar Anual? Não consigo passar para palavras tudo o que senti. Nunca me vou esquecer do número de adeptos que vieram ao Dragão nesse dia: foram 31.093 portistas. As pessoas ficam espantadas por eu saber o número de cor, mas nunca me vou esquecer do momento em que olhei para o ecrã, ainda sem saber muito bem o
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