“ A NOSSA PARCERIA COM A COCA-COLA JÁ VAI LONGA, SÃO AGORA 27 ANOS”
FUTEBOL
FEVEREIRO 2026 REVISTA DRAGÕES
“ A NOSSA PARCERIA COM A COCA-COLA JÁ VAI LONGA, SÃO AGORA 27 ANOS”
gerado por um jogo de cores.“ Temos as bancadas bem decoradas com o vosso símbolo. Há poucos locais onde o FC Porto permite o vermelho na decoração do estádio”, observou André Villas-Boas, antes de fechar a lista de exceções com precisão de catálogo:“ Um é a Coca-Cola, outro é a Super Bock e outro é a Fidelidade”. A piada foi leve, mas a mensagem foi séria: no Porto, a confiança não se decreta, conquista-se. Até o vermelho, quando entra, entra por mérito. A ponte entre clube e cidade foi uma das linhas mais fortes do dia, com Villas-Boas a lembrar o direito de superfície de 75 anos concedido pela Câmara Municipal do Porto sobre os terrenos da antiga Escola Ramalho Ortigão, uma base para que se continue“ a construir ecleticamente e a servir a cidade e a comunidade da melhor forma”. Não é detalhe burocrático, é um rumo, porque um clube que quer disputar títulos também deve ser ferramenta social, abrir portas, ocupar o território com propósito e devolver à cidade parte da energia que recebe. Se o troféu trouxe o mundo, Roberto Carlos trouxe a memória viva de quem o levantou. Villas-Boas agradeceu a presença de“ um grande ídolo de todos” e lançou a frase que atravessa gerações:“ O meu filho ainda não era nascido quando tu já fazias bananas invertidas na direção do golo”. O brasileiro respondeu com naturalidade e emoção.“ Na minha altura, o FC Porto jogava no Estádio das Antas, mas o clube continua a ser o mesmo. Sempre foi uma referência na minha vida”, disse o brasileiro, antes de confessar o que o tempo não gastou:“ Ainda hoje fico emocionado ao levantar o troféu que todas as seleções querem ganhar”. E quando lhe pediram a hierarquia entre Mundial e Champions, o mítico lateral esquerdo do Real foi direto:“ Ganhar uma Liga dos Campeões é importante, a Champions é uma referência, mas ganhar o Mundial representando o meu país vai estar sempre em primeiro plano”. A cidade também não quis ser figurante. Pedro Duarte descreveu o FC Porto como
“ a mais relevante bandeira desportiva” da Invicta e resumiu a ligação entre o Porto e o jogo com uma frase que soa a verdade antiga:“ Aqui o futebol não se explica, sente-se”. Antes disso, o autarca deixou claro que, para os tripeiros,“ o futebol não é apenas um jogo”, é orgulho partilhado no cachecol passado de mão em mão, na conversa de café, na emoção comunitária que une idades e esbate diferenças. O presidente da câmara municipal falou ainda de uma comunidade“ com carácter granítico e irredutível”, reconhecendo“ centros de poder maiores” e“ recursos com outros benefícios”. Projetando o futuro, lembrou que em 2030 o Porto será cidade-sede do Mundial e prometeu que clube e município
André Villas-Boas sublinhou o estatuto único do FC Porto como clube português campeão do mundo num dia em que o troféu do Mundial FIFA passou pela primeira vez por um estádio nacional.
estarão juntos e“ cheios de orgulho” num“ estádio único e inimitável”. No fim, o que esteve em exposição não foi só um troféu, foi uma ideia de futuro encostada à história e iluminada por declarações que ficam. O Dragão abriu portas a um símbolo global e, ao fazê-lo, lembrou que o Porto gosta de receber o mundo, mas gosta ainda mais de se reconhecer nele. E ficou a esperança final, simples e enorme, de que este ouro possa regressar a Portugal não como visitante, mas como destino, pelas mãos da nossa seleção nacional. Com o Campeonato do Mundo no horizonte, a passagem do troféu pelo Dragão funcionou como lembrete e desafio: sonhar é bom, mas trabalhar é obrigatório.
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